domingo, 26 de fevereiro de 2017

Quando eu tiver feito biscoito

Será que quando eu tiver feito, alguém vai ler isso?
Não sei ao certo quando vai ser.
Ei, você que está lendo isso, eu já fiz?
Quero dizer, eu não estou mais aqui?
Quanto tempo eu demorei?
Eu cheguei a terminar a faculdade?
Eu cheguei até o fim da semana?

Quero dizer, estou falando daquele biscoito, é claro.
É claro.

Carnaval

A urina caiu sobre nós pouco antes que a morte o fizesse.
Não havia confete e nem música.
Apenas urina e morte.
A morte cairia sobre nós como uma benção.
Era carnaval.
O carnaval era igual a vida.
Sujo, imundo, nojento, e todo mundo estava alegre e sorrindo.
O carnaval era igual a vida: ficamos nos perguntando o que todas essas pessoas estavam fazendo aqui sendo que não há nada aqui.
O carnaval era igual a vida: morto, cinza, sem cor.
O carnaval era igual a vida: nós não queríamos estar nele.
O carnaval era igual a vida: depressão, solidão, anseio pelo fim.
O carnaval era igual a vida: chove urina envenenada, e nós abrimos a boca para receber a benção da morte.
A morte cairia sobre nós como uma benção.
O carnaval caiu sobre nós como uma maldição.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

The last song

O andarilho acordou em um lugar muito bonito.
Uma bela floresta, gramada, com rios que formavam cachoeiras, pássaros cantando e poucos raios de sol deixando uma vista realmente bonita.
O andarilho não se lembrava de nada.
Caminhando por alguns minutos, encontrou um homem velho dormindo no chão com um violão sobre seu peito.
O andarilho acordou o homem, perguntando se ele sabia que lugar era aquele, se lembrava como haviam parado ali e se os dois se conheciam.
O homem se sentou no chão, pegou o violão e começou a cantar uma breve canção.

"This is my last song,
should be the hapiest one,
because i'm going to a place
where i won't feel alone.

This is my best song.
It is the hapiest one,
and if you're listening,
it means that i already am long gone"

O andarilho abriu os olhos. O sol escaldante do deserto queimava seu rosto.
Tudo havia sido um sonho.
Continuou desorientado e solitário a sua caminhada sem rumo.
Mais tarde, encontrou um esqueleto humano com os restos destruídos e já consumidos, pelo tempo e pelo sol, de o que um dia foi um violão.
Apesar de toda a confusão causada pelo sol cozinhando seu cérebro, soube reconhecer aqueles restos mortais como sendo os de si próprio.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Anestesia

Eu não me sinto triste.
Não me sinto só.
Não me sinto mais apaixonado.
Nem iludido, traído.
Não sinto.
Não vou morrer de fato,
pois não me sinto vivo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Inércia

Oi! tudo bem?
Há quanto tempo!
Sim, eu ainda estou aqui de olhos fechados sem saber nada.
Voando balisticamente por inércia.
O chão é logo ali.
Até mais!

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Nadando contra a correnteza

Um lugar muito bonito.
Um rio, várias cachoeiras.
Tentativa de escapar do vazio.
De fato, o lugar é lindo, e ajudou bastante.
O vazio ficou de longe, apenas observando.
O vazio está lá.

---

A correnteza puxa para o vazio.
Eu não sei nadar.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Motivação!

Oh Motivação!
A chave mestre da vida!
Esmagada e destruída!

Minha memória extremamente fraca, meus bloqueios mentais produzidos como medida de proteção, meus traumas.
Essas coisas fazem com que seja meio raro eu ficar realmente analisando tudo o que aconteceu.
Ok, a vida é feita de fases, e as coisas vão mudando.

Somos seres muito fluidos.
Fluidos como a fumaça que sai dos ouvidos.
Como a meleca que sai do nariz quando pensamos muito forte em temperaturas baixas.
Como o pensamento em si, fluido, que flui por todo o universo.

Mas, algo não me parece como uma mudança válida...

Primeiros períodos. Chegava eu, puro entusiasmo, observando todos aqueles zumbis, mortos errantes.
Pudera eu imaginar que um dia eu seria um deles?
Eu tinha a lendária fonte da motivação dentro de mim.
Não importava o porquê, não importava o que eu ganharia fazendo algo, eu só queria fazer e fazer bem feito.
Mas, a fonte secou.
Péssimos professores, currículo atrasado em décadas, matérias ridículas.
Fracassos pessoais, falta de dinheiro, falta de liberdade, amores não correspondidos, solidão, depressão.

Realmente não me parece uma mudança válida.
Não foi uma mudança.
É uma doença.
Que por um bom tempo eu pensei não ter cura.
Mas, tem sim.

Eis que aqui estou, finalmente, no último semestre da faculdade.
Mais cinco meses, e eu estarei livre.
Sei que ainda existe uma fonte de motivação neste deserto.
Sei que algum dia eu ainda posso sair daqui.
Então existe sim uma cura.

Uma vez fora daquele lugar, pretendo ficar pelo menos um ano em desintoxicação.
Tentar ser alguém.
Fazer coisas legais.
Procurar a fonte.
A lendária fonte perdida da motivação!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

"Querida Teresa"

Te escrevo este post, inspirado no blog "A infinita ausência" que foi um blog muito significativo em uma certa parte da minha vida.
Resolvi escrever, pois, te encontrei hoje na faculdade, conversamos por uma hora e depois eu saí meio que flutuando, como geralmente acontece quando nos encontramos.
Nesses momentos fica claro o efeito que sua presença surte em mim, e o porquê.
Você tem essa energia, emana essa energia que eu quase nunca vejo em outras meninas.
Você está realmente viva e presente.
Mas, deixando de lado as minhas inspirações ingênuas e até irresponsáveis, gostaria de te falar.
Eu realmente não tenho capacidade, ou então maturidade, para me aprofundar na sua vida apenas como um amigo. Por isto, eu acabo me distanciando tanto de você, quando eu consigo. 
Já em época de faculdade, é difícil não nos encontrarmos.
A minha mente então se torna um campo de batalha, onde parte de mim luta para fugir de você e outra parte luta para te encontrar de novo, nem que seja só para dar um oi, um abraço e depois ficar viajando na lembrança dos seus olhos através do óculos, do seu sorriso peculiar, do toque nos seus cabelos.
Chega a ser doloroso para mim conversar com meninas (naqueles aplicativos de encontro) depois de conversar com você. Fica claro que eu estou buscando uma você lá, que obviamente nunca vou encontrar.
Durante vários semestres esta situação se arrastou, em alguns deles eu inclusive não consegui me conter e declarei os meus sentimentos para você, e você já deixou bastante claro que eles não são recíprocos.
Enfim, de qualquer forma, este é o último semestre.
Então, já que eu realmente não tenho capacidade de dar um fim a isso, vou simplesmente ir levando até o fim.
Daqui a seis meses, será o nosso adeus.
Então finalmente te deixarei em paz, me deixarei em paz.
Só preciso aguentar mais seis meses nessa luta contra mim mesmo.
Depois disso, não sei bem o que será.
Certamente, não vou te esquecer, mas provavelmente nos perderemos no mundo.
Você acabará sendo um sonho perdido e esquecido na minha mente. 
Uma manifestação puramente imaginativa de vários possíveis passados e futuros que ficaram presos nestes passados. 
Lembrança e saudade que ficarão congeladas em algum canto perdido do meu pensamento.
Me desculpe por ser tão fraco.
Farei o meu melhor para que tudo pareça simplesmente normal.
Tentarei seguir com a minha vida também.
Até que este semestre finalmente acabe.
Um abraço!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A melodia perdida

Tinha uma música que só eu, no universo inteiro, sabia tocar.
E agora eu não sei mais.
Se perdeu para sempre.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Tentar

Tentar, cara.
Pelo menos tentar.
Tem que, pelo menos, tentar.
Se conseguir, ok.
Se não, ok também.
Só não pode é deixar de tentar.
Tem que tentar.

Não sei se essa coisa tem um fim.
Parece que a gente fica saindo e depois cai de volta.
Mas, agora eu tô saindo, pelo menos temporariamente.
Quem sabe, permanentemente.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Documentação

Eu documentei aqui a minha morte.
Não foi hoje, nem ontem.
Provavelmente não vai ser amanhã, nem depois.
Até pode ser, mas é pouco provável.
Mas eu já estou morto.
E aqui ela está bem documentada.

Árvore de natal

Resolver o problema.
Eu sou o problema.
Ele tenta e tenta.
Ele tenta o dia inteiro.

Ele corre atrás da própria sombra até o sol se por.
Então ele dorme.
Quando acorda, ele corre atrás da própria sombra até o sol se por.
Então ele dorme.

É, a gente...
É, a gente fez errado...

Um apito distante.
Tudo branco.
Tudo preto.
Tudo azul escuro.
Dano e erro.
Vandalismo.

Um apito intermitente e distante.
Queima a memória.
Acabou, acabou.
A memória corrompeu, então acabou.

A colisão foi grave e deletou o cérebro.
O cérebro foi deletado.
O cérebro.
O cérebro foi destruído.

A arvore de natal caiu em cima do cérebro.
Tinha um cara.
O médico tava fazendo cirurgia no cérebro dele.
Tinha uma árvore de natal na sala de cirurgia.
E a árvore caiu.
A arvore de natal caiu em cima do cérebro.
Por isso eu sou assim.
Eu morri.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Congelado

Calma.
Você não precisa se matar para fugir de quem você é.
Você pode ir morrendo.
Ir morrendo.
Ir fedendo.
Ir fedendo.
Ainda há o bom.
O quê?
Ainda há o bom.
Você pode ir fedendo.

Aí você junta um dinheiro fedendo.
Viaja pra algum lugar fedorento.
Onde as pessoas são todas fedorentas.
Você chega lá fedendo.
E arruma um emprego onde seja livre feder.
Antes de morrer.
Antes de se matar.
Você vai e fede.
Um lugar frio e que fede bastante.
E você pode viver lá.
Com as pessoas.
Não com os computadores.
Não com os celulares.
Com as pessoas.
Abrace as pessoas.
Não os computadores.
Não os celulares.
As pessoas.

E viva lá, fedendo.

Você pode fazer isso, antes de se matar.
É só ir morrendo.
É só ir fedendo.
Vamos lá, a gente aguenta.
Só mais um pouquinho.
É só ir fedendo.
É só ir morrendo.
Vamos, vamos, força.
A gente aguenta.
Já tá acabando.

sábado, 7 de janeiro de 2017

chapéu chapel xapel papel

Eu sou burro!
Muito, muito burro!
Se eu disputasse um campeonato de inteligência com uma porta, metade dos espectadores iria ir embora antes do fim, e a outra metade ia dormir no meio das provas, pois ficaria bem claro que aquilo não seria uma competição, mas sim um massacre.
E não é a deprê falando.
Sou eu mesmo.
Tenho plena consciência disso.
Eu nem sei como eu cheguei tão longe na vida.
Eu sou um inútil!
Como eu consigo sequer programar (ainda que de forma meio porca, mas fazendo as coisas funcionarem)?

Fato é que eu tenho uma capacidade admirável de me adaptar, talvez por isso tenha chegado até aqui.
Fato também é que, esta capacidade não é admirável apenas de uma boa maneira.
Uma pessoa normal, quando não está confortável, muda o seu redor, não simplesmente se adapta a ele.
Uma pessoa normal não apenas cava um buraco no chão e se esconde lá até que a vida exploda todo o terreno e ela seja arremessada para bem longe onde caia em outro lugar e então cave outro buraco e assim a vida vai sendo vivida da forma mais idiota, travada e limitada possível... (ufa, que frase longa).
Uma pessoa normal procura um tempero quando a comida está sem graça...

Por mais que, talvez, tudo acabe se acabando pra mim, se eu não conseguir sobreviver..
Eu quero melhorar isso.
Talvez exista um pouco de esperança afinal.

No meio de uma das minhas crises, tive a ideia de caçar estímulos para o cérebro.
Afinal, pelo menos pra isso, talvez um novo celular sirva para alguma coisa.
Eu percebi que estava exercitando aceitavelmente meu corpo, mas minha mente estava congelada há tanto, tanto tempo...
Talvez desde o quarto período da faculdade, ou talvez antes.
Talvez desde que a deprê começou.. (uns 5, 6, 7 ou 8 anos atrás? ou mais?)
Não tenho força ou condições ainda para entrar numa terapia (sei que isso é idiotice minha, mas nem vou discutir), mas talvez haja algo que eu possa fazer.

Enfim, eu ainda me sinto muito fezes errantes.
Mas, estou me animando um pouco.
Voltei para a academia.
Curti bastante minhas férias (Não fiz 1% do que eu queria, mas fiz muita coisa legal, basicamente apenas andar de bike, mas ainda assim foi muito legal).
Vamos ver se consigo colocar alguma coisa em ordem.
Ou se meu chapéu vai virar papel.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Água do vaso

Sim, pode ser que eu tenha só bebido água do vaso de novo.
Mas, quer saber?
Fezes!
Sim, fezes!
2017 é o ano definitivo das fezes voadoras no pâncreas, seja lá o que isso significa!
Isso pode ser absurdamente bom, ou abissalmente ruim, não importa!

Enfim, 2017 começou muito bem.
Saí com minha mãe de bike, e foi ótimo!
Comprei outro celular.
Pois é, eu sei, quem precisa dessas merdas de celulares?
Mas, já estamos em uma distopia, eu posso chorar e beber urina até a morte, ou aceitar as fezes voadoras e me adaptar ao distópico e repugnante sistema, vivendo a medíocre porém única opção atualmente alcançável pra mim.
Temos um tempo limitado, e eu tenho a habilidade especial de deixar tudo tão cagariotativo que seria melhor que ele fosse mais limitado.
Estou tentando mudar isso, eu acho.
Não, não tenho certeza, e nem sei se minha suposta "tentativa" é válida.
Mas, é isso aí.
Fezes!