Mostrando postagens com marcador Legarióticos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Legarióticos. Mostrar todas as postagens

domingo, 23 de outubro de 2016

Minhas palavras

Essas palavras.
Tantas palavras.
Que eu tanto amo, tanto me odeio e me detesto.
Palavras que entram em meus pulmões, me tiram o oxigênio e me deitam gentilmente num canto, sem vida.
Me cavam uma cama numa terra fresquinha e macia.
Me cobrem com uma terra quentinha.
Me jogam flores e me trazem chuva, para que eu possa voltar aos poucos a ser o que eu era antes de ser um ser.

sábado, 6 de agosto de 2016

Fezes da moda

Uma das personalidades de Sclepser morava em uma cidade onde as pessoas adoravam comer fezes de pombos.
Ele, obviamente odiava, e por isso acabava sendo uma pessoa bastante solitária.
Após tantos anos de isolamento, Sclepser decidiu finalmente começar a comer fezes, e fazer isso de fato melhorou um pouco sua vida social.
Algumas semanas se passaram e veio uma nova febre: Fezes de cachorro!
Eram tão melhores! Maiores! Mais quentinhas e suculentas!
Pombos estavam ultrapassados, só mesmo Sclepser para fazer algo tão não usual.
Sclepser estava sozinho novamente no mundo das fezes de pombo.
Num esforço monumental, Sclepser começou a comer fezes de cachorro também, e até que se acostumou bem com isso.
Novamente, Sclepser recuperou um pouco da sua vida social.
Mas não por muito tempo.
Os tempos estão sempre mudando.
E agora todo mundo só queria saber de uma coisa:
"Hei! para que utilizarmos animas para produzir as fezes que comemos?"
"Que burrice! Nós temos nossa própria fonte de fezes nos seguindo o tempo todo!"
Isso mesmo, assim começa a nova moda: Se alimentar das próprias fezes.
Sclepser se senta em um banco num ponto bem deserto da cidade.
Um grande cansaço cai sobre ele.
"Isso realmente não é para mim. Eu nasci tão errado.."

...

"Se eu soubesse que demoraria tanto, eu teria ido dormir."

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Fênix



Finalmente consegui gravar esta música.
Fazia um bom tempo que eu estava querendo gravar.
A música inspirada na Fênix, e dedicada para ela (e que ela nunca vai escutar).
A Fênix que partiu do deserto.
Verdade é que a Fênix nunca esteve aqui.
Foi tudo apenas uma grande miragem, ilusão ou alucinação.
É fácil perder a cabeça no deserto.
Sabe-se lá onde pode estar o andarilho agora.
Provavelmente foi engolido por alguma outra criatura que também só existe em sua cabeça.

sábado, 30 de julho de 2016

Disquete

Não sei ao certo de onde estava saindo, ou para onde estava indo.
Mas, a cidade foi ficando para trás.
Passei por uma longa estrada rodeada apenas por vegetação e acabei chegando em um sítio desconhecido.
Nesse sítio tinha uma menina e ela não tinha um rosto, apenas um vulto, uma ideia que representava uma garota.
A menina tinha uma câmera digital que salvava as fotos em um disquete e me disse que não haveria problema nenhum em ficar comigo.
Nós nos beijamos e ficamos abraçados por um bom tempo, e então passamos a explorar aquele lindo lugar.
Tiramos muitas fotos, muito mais do que realmente caberia em um disquete.
As fotos eram muito bonitas e coloridas, com cores e formas distorcidas, bastante diferentes daquelas presentes na cena original da fotografia.
Estava sendo um dia maravilhoso, era tão bom estar ao lado dela.
Ao por do sol, nos abraçamos sentados em uma arvore caída e ficamos admirando uma bela paisagem natural.
Ela me disse que tudo estava sendo muito bom, mas eu precisava acordar.
Não entendi muito bem na hora, não pensava que ela estava sendo literal, pois não havia percebido que tudo era um sonho.
Mas, eu estava tão feliz de simplesmente ouvir ela falar que não interrompi.
Ela disse que gostava muito de mim, e que era uma pena que minha vida estivesse no estado atual.
Disse que meus medos extremos têm grande potencial para me exterminar, mas que havia um pingo de esperança.
Disse que certamente vai demorar muito tempo para eu deixar de ser matéria orgânica de comportamento aleatório e passar a realmente ser uma pessoa com várias características, habilidades, comportamentos e complexidades, e que então eu, talvez, poderei manter relacionamentos mais profundos com as pessoas ao meu redor. Isso se algum dia eu realmente chegar a ser uma pessoa.
Depois ela me abraçou bem forte e disse que era hora de ir, para eu aguentar firme.
Abri os olhos e estava no meu quarto, deitado na cama.
Era tudo um sonho.
Porque eu tenho sonhos assim?
Talvez eu tenha comido demais antes de dormir.
Ou talvez isso seja normal para quem é composto por fezes.

domingo, 17 de julho de 2016

O veículo

Eis que surge o veículo.
Do nada.
Tão inesperado quanto a própria vida.
E que pode ter vindo para salvar uma vida.
Um bem material?
Uma posse?
Uma bicicleta?
Uma saída.
Uma esperança.
Uma luz para quem já quase não enxergava.
Uma promessa de exploração.
Mudança de perspectiva.
O primeiro passo de uma longa jornada.
Liberdade.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Eu vou feder

Olha, eu vou defecar, em tudo.
Ou pelo menos quase tudo...

Eu vou deitar aqui e vou feder.
É certo.
Eu vou feder.

A minha alma desistiu e foi embora.
Eu sou apenas uma gelatina que se move misteriosamente devido à variações imperceptíveis no campo magnético da terra.
É tudo comprovado cientificamente, nada de exotérico.
E assim que os agentes decompositores começarem seu trabalho em mim,
Eu vou feder.

Sim, eu vou feder!
Hoje e manhã!
Vermes vão me comer!
Como uma maçã!

Sim eu vou feder!
Todo santo dia!
Quando eu morrer!
Fedor de alegria!

Hoje eu vou feder!
Mas quem sabe o futuro?
Sei que vou feder,
quando tudo ficar escuro!

Meu corpo é movido pelos vermes que se alimentam dele.
Fumaça de gases em expansão.
Vapores e fedores, amores e cocores.

Não me mate assim, sem mais nem menos!
Espere um minuto ou dois, assim, temos tempo para comprar os fogos de artifício!

Ah eu posso sentir!
Como é bom feder e feder!
Eu não sinto o cheiro, mas sei que posso feder!

Meu corpo fede porque minha alma fede e o fedor perpassa os planos do imaterial para o material.

O fedor de podre, carniça, morte e solidão.

Me desculpe escrever tanto assim, eu só queria conversar com alguém.
Mas, ninguém quer conversar comigo, porque o meu fedor é diferente do fedor deles.

...

O fedor agora consumiu todo  o oxigênio.
Não temos muito tempo de vida presos aqui.
Então, vamos dormir.

Podíamos fechar os olhinhos, e torcer para que quando abríssemos, estivéssemos em um canto escuro da lua, flutuando no espaço!
Podemos voar!

Ah, sonhar é tão caro. Faz tempo que não pago um sonho.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Cochilo

Sonhei que estava em algum lugar comendo doce.
Mas eu estou bem.
Como um animal que já parou de lutar e aceitou o abate.
Eu já estou morto.
Meu pâncreas ainda bate porque ainda não percebeu.
E eu ainda vago como um zumbi pois minha maldição me impede de repousar.
Meu corpo já se putrefaz.
E no meu interior gelado, os vermes se alimentam de meus restos errantes.

domingo, 22 de maio de 2016

Líquido

Meu cérebro está se transformando em um líquido.
Eu posso sentir.
Posso ouvir o barulho de líquido balançando, quando mexo a cabeça.
Acho que está começando a escorrer.
Escorre pelos meus olhos.
E pinga no chão.
Aquele líquido rosa.
Estou me sentindo estranho.

A semente

Minha cabeça está tão pesada que mal consigo ficar de pé.
Vou andando e minhas pegadas vão se tornando cada vez mais fundas.
Afundo meus pés na terra dura.
Afundo meus joelhos.
Minha perna.
É quase impossível caminhar.
Agora já mal posso me mover.
E continuo afundando na terra.
Quanto mais relutante, mais me afundo.
Até que minha cabeça se afunda na terra e já não posso ver mais nada.
A terra invade meus pulmões, esmaga meu corpo, me paralisa.
Me perfura com cem estacas de pedras pontiagudas.
Implanta uma semente em meu cérebro,
que explode em uma imensa árvore negra.
Uma árvore negra com uma aura maligna que suga toda a luz.
A árvore se alimenta do pouco que resta da minha vida.
Utiliza minha energia vital para crescer seus frutos.
De seus frutos, saem pequenos demônios que se unem em um só ser.
O ser maligno grita tão alto que uma onda de choque desintegra a árvore que o criou e destrói tudo ao seu caminho.
Com necessidade de destruição, sai a vagar o mal mais poderoso do universo.

sábado, 21 de maio de 2016

Rapidinho

É tudo rapidinho de fazer
Mas nunca temos tempo
Sempre tanta pressão!
É tudo sempre tão intenso!

E tudo aperta por todos os lados
Tudo tão sufocante
Tudo descontrolado

Parece que, a qualquer momento, tudo simplesmente vai explodir
Parece que tudo que penso, não demora um segundo pra sumir
Parece que todo universo decidiu conspirar contra mim
Parece que tudo que eu conheço vai deixar de existir

Eu sinto muito, não tenho nada de bom pra dizer
É sempre isso, nunca muda o que vai acontecer
E se algum dia eu fui bom em alguma coisa qualquer
Esse dia já passou e hoje eu nem sei mais o que é
Já não sei mais quem eu sou, e como cheguei aqui
E agora já não há mais nada aqui dentro de mim

Sou apenas um saco vazio carregado pelo vento
Que voa pelo mundo sem nenhuma ação, nenhum movimento
A minha mente, assustada busca abrigo em textos imensos
E quando as letras acabam fico preso em meus pensamentos

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O problema

O problema é
O problema é
O problema é

as vidas batem forte e são solavancadas em seus bonés.
As formigas vivem sempre perguntando por alguém.
As lontras querem mesmo ser fervidas em antrax.
As lendas morrem jovens por não saberem rezar.

Tudo que o chão é chinelo bate no pé do elevador.
A gente somos fogueira e fogos de artifício.
A mola e a solda potente, do sol poente do aquecedor.
As folhas limpas macias papel higiênico do amor!

Não fale mais comigo, nunca mais, por favor.
Fale sempre de volta com o monstro sonhador.
Eu sou um banco de merda que voou pelo sofá.
Eu sou o podre da vida, sou o destino, sou defecar.

A escrita e a leitura fazem poemas de amor.
A carne e a vontade não existem pra valer.
O baixo da poesia dá o tom de amargar.
E a língua sabe que não deve continuar!

A solidão é rasteira, é serena é suave.
A solidão mata a gente a solidão parece que sabe.
A solidão é a vida a solidão quer nos comer.
A solidão nos esfria e nos faz querer morrer.

A solidão bate forte e arranca o coração.
A solidão traz catarro que mata o cérebro da canção.
A solidão não quer saber de nos deixar em paz.
A solidão não quer que respiremos nunca mais.

A solidão é o ferro que nos queima de manhã.
A solidão é o vazio que nos preenche de romã.
A solidão me matou e me escondeu no congelador.
A solidão é o eixo que martela o ventilador.

chega.















sexta-feira, 13 de maio de 2016

O abominável homem das fezes

Eu estou doente.
Estou com a doença das fezes.
Um vírus entrou em mim e transformou meu cérebro em fezes.
Ele foi evoluindo e transformou minhas tripas em fezes.
Depois meus ossos.
Meus músculos.
Minha pele.
Minha alma.
Até que não sobrasse mais nada.
Aqui estou eu: O homem fezes.
O abominável homem das fezes.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Fênix do deserto

E, se num dia eu mato você dentro de mim, quando chega a noite, lá está você em chamas novamente riscando o céu do meu deserto.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Caverna

Eu estava tranquilo e confortável nadando em um lago numa caverna.
Entrei em pânico quando percebi que a caverna na verdade era meu nariz e  a água era catarro.
Morri afogado.

domingo, 10 de abril de 2016

Tempo de insulina

Tempo.
O passar do tempo.
O arrastar do tempo.
O tempo de insulina.
Pâncreas em produção.

Só um conceito a ser evoluído, como uma glicose a ser processada.

domingo, 3 de abril de 2016

Singularidade

Um fragmento de sonho.
Um produto puramente mental.
Uma daquelas ilusões que nos tomam a mente durante várias horas.
No funcionamento normal do universo, não teria qualquer compromisso com o mundo material.
Porém, estranhamente, houve uma singularidade.
Uma aberração do espaço, tempo, probabilidade.
Uma invasão do mundo real por parte daquilo que deveria estar apenas no imaterial do imaginário.
O possível tomou mais um pequeno pedaço do impossível.
A imaginação se confundiu com aquilo que está fora dela.
Durante um pequeno intervalo de tempo.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Solidão

Solidão de verdade.
Solidão pra eternidade.
Solidão que nos corrói.
Solidão no peito dói.

Solidão todo dia.
Solidão sem companhia.
Solidão toda noite.
Solidão eterno açoite.

Solidão quem eu sou?
Solidão onde eu estou?
Solidão dentro do peito!
Solidão não tem mais jeito!

Solidão não me deixe aqui!
Solidão não sei pra onde ir!
Solidão estou tão longe!
Solidão forever alone!

quinta-feira, 17 de março de 2016

Universal

É como se, a qualquer momento, alguém fosse surgir do nada, estender a mão e resgatá-lo da solidão daquele planeta deserto.
Mas, mesmo que alguém ousasse tentar, ele provavelmente daria um jeito de fazer esta pessoa ir embora confusa.
O deserto é a sua mente, e é auto sustentado num ciclo vicioso onde a solidão apenas vai se tornando cada vez mas oceânica, abissal, universal.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Infinitesimais

Como o editor que insere mensagens subliminares em quadros aleatórios isolados de um filme, ele vai contando sua realidade, pontos infinitesimais por vez.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Gabi!

Se um dia alguma Gabi ou qualquer outra pessoa chegar a ler este "poema", não se ofenda por ele.
Eu comecei a escrever apenas de brincadeira conversando com amigos, e no meio do poema, comecei a lembrar de coisas que aconteceram e acabou que o poema foi ganhando uma certa.. uma certa.... bem, eu não sei o quê, pra falar a verdade.
Esse poema é baseado em fatos reais (exceto a parte do xixi e do vaso..) que agora já fazem parte do passado distante que pode ser zoado sem grandes problemas.
Enfim, se preferir, simplesmente o ignore completamente!

Um dia fui fazer xixi.
Mas não pude crer no que vi.
Gabi!
Gabi!

Saindo de dentro do vaso.
Com seu cabelo avermelhado.
Gabi!
Gabi!

Tentei fugir assustado.
Mas, logo fui atacado.
Gabi!
Gabi!

Me deixou paralisado.
Seu cabelo alisado
Gabi!
Gabi!

Num belo por do sol laranja.
Ela apareceu de franja.
Gabi!
Gabi!

Não teve mais solução
E surgiu uma paixão,
Gabi!
Gabi!

Fui tentar me declarar
Meus sentimentos demonstrar
Gabi!
Gabi!

Mas level na cara um NÃO!
Era tudo ilusão!
Morri!
Morri!
Morri!