terça-feira, 22 de setembro de 2015

Algo que não existe

(Desespero)
E tudo o que eu queria era apertar alguém!
Mas vivo assim sozinho, solitário, sem ninguém.
Comi uma batata que comprei no armazém,
Mas ela tava podre, eu morri e fui pro além.

Uh!

(calma)
A solidão é um bacon light que se come frio
As feridas estão abertas e o fogo está entrando.

O fermento faz a dor crescer,
e a gente come com farinha para não morrer.

Um abraço.
Um beijo.
As mãos no cabelo.
O vácuo.
O vazio.
O Algo que não existe.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A pedra e os aniversários

Bem, dia 8 de Setembro meu blog fez 7 anos.
7 anos sem noção que eu jamais vou entender.
E eu deixei a data passar completamente, pois pensava "foi aniversário do Blog outro dia, não deve estar nem perto".
Quando fui checar, já tinha passado.
E, se ler os posts de 1 ano atrás, veremos que eu não avancei quase nada.
Estou preso.

Se passou dois anos também daquele grande dia 14 de Setembro.
Incrível, né? Dois anos!
Dois solitários anos!
Como é possível?
Como um ser que se considera vivo pode se manter tão imutável por tanto tempo?
Qual a diferença entre eu e uma pedra?

De qualquer forma, é bom ter meu blog.
Estou voltando a postar textos mais ou menos legaizinhos.
Não sei se é depressão, ou sei lá o quê, mas a ostra está produzindo pérolas de novo.

Realmente quero muito que daqui a um ano tudo esteja diferente.
Guilherme do futuro, posso ter alguma esperança?
Eu realmente quero sair daqui, ir pra qualquer outro ponto do espaço tempo.
Por favor, não me diga que sou o mesmo eu que estou lendo isto daqui a um ano!

sábado, 19 de setembro de 2015

Retalhos do dia

E lá estava eu, precisando de um longo abraço mas sem ser humano o bastante para ir buscar.
Caí de joelhos nas areias do deserto.
Fechei os olhos e fui surpreendido pelo meu próprio oceano inundando o meu redor.
Agora afundo como uma pedra nas fossas abissais da minha própria mente.

Hoje está realmente quente.
Tão quente que meus olhos se derretem em lágrimas de ferro fundido que caem e queimam meus pés.

Do jeito que tá, só o tempo mesmo pra curar.
E até lá, vou apanhar diariamente, mesmo
Não há muito o que fazer, talvez apenas sentir, aguentar e levar...

Uma estorinha qualquer

E nos limites do universo conhecido pelo robô, existe um monstro gigante chamado Agomi.
Agomi é extremamente poderoso. Ele é capaz de voar e de ter contatos muito profundos e prolongados com a Ave. Logo que viu o robô pela primeira vez, percebeu que ele tinha um forte sentimento de atração por ela.
A Ave é uma criatura encantadora, que ou por grandiosidade, ou talvez por falta de sensibilidade, não odiou o robô assim que o viu pela primeira vez, e até conversava com ele de vez em quando, quando não estava voando.
Agomi apenas achava engraçado, como tal ser tão insignificante pudesse pensar ter o direito de sentir algo pela Ave.

Num certo dia, o robô tentou se catapultar a uma grande altura para tentar alcançar a Ave em pleno vôo, tentou algum contato com a Ave, disse a ela como sentia.
A Ave apenas arrancou-lhe o olho, o deixou cair até o chão e sangrar sozinho por um tempo. Continuou seu voo como se absolutamente nada tivesse acontecido.

O tempo passou, e longe de superar seus sentimentos, o robô voltou a sentir desejo pela Ave.
Foi então que Agomi chegou perto do robô e disse:
 - Este verme insignificante acha que pode se aproximar da minha Ave? Haha! Olhe só para isso, seu verme!
Agomi se aproximou da Ave e os dois se abraçaram ternamente, longamente, um abraço puramente humano, carinhoso. Um sonho tão desejado e impossível para o robô, e ele vê que, para o Agomi, isto é algo cotidiano, que ele pode fazer sempre que quiser.
Agomi se afasta da Ave e diz:
 - Agora, sua barata nojenta e asquerosa! Saia daqui e não volte mais!
E dá um chute, jogando o robô a quilômetros de distância.

Para o robô, o golpe físico nem sequer foi sentido,
Estava anestesiado pela intensidade que aquela visão teve sobre ele.
O robô não possui permissão para ter verdadeiras emoções humanas, mas sentiu o mais próximo que podia de raiva e tristeza extremas.
Chorou o máximo que lhe era permitido.
Voltou caminhando para casa, arrasado.
E escreveu em seu blog sobre seu dia.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Sem vida

Acaricio um cachorro quando um som me chama a atenção.
Me viro para investigar e sou engolido pelo deserto.
As lágrimas embaçaram a visão das ideias.
Fecho os olhos e, quando abro, estou afundando no oceano.
Neste lugar, o sol é apenas um mito.
Não me movimento. Não ativo sequer um músculo.
Estou sendo sugado para as fossas abissais.
Esmagado pela enorme pressão.
Carregado como um objeto.
Já estou sem vida.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

inst harm

Tão só que dá até um frio na barriga.
E ela não percebe o mal que faz.
Não sei se tenta ajudar,
ou se quer ver tudo pegar fogo mesmo.
"Baby don't hurt me, no more".

Crise criativa

O escritor bate nas teclas furiosamente.
Mas nada sai no papel.
A máquina está quebrada?
Não, funciona perfeitamente.
Não é este o problema.

O músico pega seu instrumento.
Mas, dele já não sai nenhum som.
Desesperado, o músico joga o instrumento no chão.
O instrumento cai suavemente, sem perturbar o absoluto silêncio.

O projetista costumava passar noites em claro.
Criando as mais belas e complexas invenções.
Hoje, o projetista rabisca a lapiseira na prancheta com força,
mas todas as folhas permanecem em branco.

A crise criativa assombra os criadores.
E nada mais será criado.
Não há mais nada a dizer, nada a mostrar, nada a sentir.
A criatividade foi engolida pelo deserto.

domingo, 13 de setembro de 2015

Desculpas

Eu devo um pedido de desculpas.
Àquela bela moça de vestido que olhou para mim, mas que eu não tive coragem de ir conversar com ela.
E também, a mim mesmo, por ter me deixado perder esta oportunidade de conversar com alguém que eu queria conversar.

É fato que mudanças muito profundas precisam ocorrer na minha mente para que eu possa algum dia ter esperanças de não ser alguém tão solitário.
Eu tive medo de conversar com uma pessoa e isto impediu uma pequena parte que contribuiria esta mudança.
E assim eu tive o que eu já sempre tenho: a distância.
E a distância traz o silêncio e a solidão.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Hoje

Tipo quando você toma café sem açúcar, o gosto te assusta, você leva um tiro e morre.
Acontece de vez em quando, né.
Parece que finalmente está caindo a ficha da Fênix.
Acho que agora ela vai abrir um espaço razoável para que eu possa me recuperar em paz.
Também, eu já estou bastante desgastado com isto.
Não sei se ainda há algo de bom nos meus sentimentos.
Deve chegar uma hora em que a gente cansa de dar soco em ponta de faca.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

vazio não zero nada

Oi, Doutor.
Hoje eu queria conversar com alguém sobre um certo trabalho que não está dando muito certo.
Queria poder abraçar esta pessoa, ouvir que tudo vai ficar bem, mesmo que a pessoa não tivesse como saber disso.
O fim de semana não rendeu nada, Doutor.
A minha energia se esvai sem eu ter feito nada, sem ter produzido nada.
Pode sim ser uma recaída, Doutor.
Eu ando meio perdido, e sei que nada vai mudar tão cedo.
Nem vou continuar escrevendo este post.
É como se eu esperasse um final feliz para ele, mas soubesse que não há.

O livro dos lobos

Quem é entendedor da chapeuzinho vermelho sabe como as coisas realmente aconteceram, por isto, não fica pedindo para que mostremos como deixar um lobo comer uma senhora idosa e uma criança e depois retirá-las com vida da barriga do lobo. Aqueles que ficam pedindo isto não estão realmente dedicados a aprender sobre o assunto. E se algum lobo algum dia tentar mostrar como se faz é porque é um lobo saltimbanco e de baixo nível, podendo até matar as duas no processo e descreditando a teoria, em vez de ajudar. Lobos realmente habilidosos e de alto nível jamais se prestariam ao papel de tentar mostrar a um cético como se faz. Até porque, apenas uma experiência jamais convenceria alguém que não está disposto à conhecer o assunto.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Eu não sei voar

A noite é escura e solitária.
A chuva molha meu travesseiro.
Os rios correm pelo meu rosto.
Até chegarem no mar da minha solidão.

Uma linda ave sobrevoa as nuvens dos meus pensamentos.
Distraída, nem percebe que põe fogo em tudo por onde passa.
Voa livre para longe com seus amigos voadores.
Me deixa aqui sozinho no deserto.
Porque eu não sei voar.

Febre Fênix mão na testa verdade

Oi, Doutor.
Hoje o dia teve alguns pontos legais e outros nem tanto.
Acabou que eu fiquei um pouco chateado com algumas coisas.
Nada demais, só queria conversar um pouco, Doutor.
Mas não vai dar pra ser agora, estou indo dormir.
Também não sei porque eu escrevo posts assim, Doutor, sei que são inúteis.
Acho que minha crise criativa está me afetando desde as questões mais profundas até as mais superficiais, como escrever um texto.
É um período um pouco complicado, Doutor.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Abraço de urso

Na minha mente:

Na minha mente, o abraço de urso vai ser algo sem precedentes.
Algo que mudaria a minha vida.
Algo que eu desejo tão intensamente há tanto tempo.
A minha alma chega a se contorcer com a necessidade.
Meus sonhos são inundados pelo abraço.
Minhas noites se tornam sessões de loops intermináveis.
Do momento do tão esperado abraço de urso.

Na realidade:

Provavelmente, jamais acontecerá.
Se acontecer, deve ser algo bem rápido;
E, mesmo se for longo, não significará nada de demais para a Fênix.
Para ela, será um momento como tantos outros.
Algo que ela faz a todo instante com gente muito mais legal que eu.

Na minha mente:

Mas eu mal posso esperar.
Deve ser apenas questão de tempo.
Não custa ter esperança.

Na realidade:

A esperança é a última que morre pois, com seu esmagador poder de destruição, ela mata qualquer um que encontra pela frente, para então morrer anos depois de causas naturais, quando já não existir mais nada.


Quebrando correntes

Me sinto mais leve, Doutor.
Parece que negar meus sentimentos pela Fênix me demandava bastante energia.
Agora eu não me repreendo mais, pelo menos não para mim mesmo.
Vou viver este complicado momento em que me encontro.
Viver cada prazer de conversas, pequenos toques (realmente pequenos, como um aperto de mãos, um tapinha nas costas, na melhor das hipóteses um abraço), ou simplesmente a visão e a presença da Fênix.
Viver também a dor de saber que ela não sente o mesmo que eu e que todos os nossos momentos não têm pra ela o significado que têm pra mim.
Tenho a perfeita consciência que não estou nem perto de ser, sequer, um dos amigos mais próximos dela. Sou apenas um conhecido distante.
Mas, não vou me afastar dela.
Pelo contrário, vou me aproximar cada vez mais.
Talvez isto seja bem uma coisa do tipo "A infinita ausência" (um dos blogs que sigo, tem o link na lista à direita, e que vale a pena ler, infelizmente, ou felizmente, a autora não escreve mais nele), mas eu já disse pra ela o que sinto (infelizmente, de forma muito mais resumida do que eu gostaria) e, pelo menos em seu subconsciente ela terá isto em mente quando estivermos próximos.
Talvez, quebrar estas correntes até me façam ver as coisas de outra forma e permita que esse sentimento se adormeça, para que eu continue seguindo em frente, ou me envolva mais facilmente com outras pessoas.
Bem, tenho que ir, Doutor.
Acho que ainda vou escrever mais um post hoje, e depois vou dormir.
Até mais, Doutor!