terça-feira, 16 de outubro de 2018

O idiota e o motorista

O idiota não sou eu, nesse caso.
Nesse caso, se trata de outro idiota.
Acho até que pode ser considerado um idiota mais idiota que eu.
Me desculpe, eu não queria ser tão literal sobre isso.
Eu queria poetizar um pouco.
Mas, eu não estou no melhor dos humores esta semana.
E o idiota consumindo o tempo do motorista apenas piorou as coisas.
Pobre do motorista, além de tudo, ainda tem que suportar esses idiotas.
Idiotas que cantam e dançam ao som de água suja correndo até empoçar na garganta de todos nós, inundando o cérebro, que sai sem vida por buracos próximos aos ouvidos e se torna imediatamente feliz!
Ah essa felicidade tem um gosto doce e proibido!

Eu não sei consertar o rádio

Eu não sei consertar minha vida
Tudo é erro, tudo é falha
Beep beep beep beep beep beep beep
Nada funciona
Atualiza e para de funcionar a vida
Tudo estraga
Tudo morre
Tudo me mata

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Frágil corrente que prende a impressora à consciência

A morte me chama e me atiça.
Eu forço para olhar para o outro lado.
Forço para que a tentação não seja mais forte que minha racionalidade.
Eu movo meus dedos por entre a grama enquanto sou arrastado para o trem.
Tantos de mim já morreram antes.
O adubo faz as plantas crescerem grandes e vistosas.
O solo rico em nutrientes deixa essa grama verdinha e gostosa.
E aquele cheiro bom.
Eu não tenho olfato.

domingo, 30 de setembro de 2018

The wall breaker

Ontem, the wall breaker nos visitou novamente.
Ultimamente ele tem vindo bastante por aqui, o que é muito bom.
Tomou um cafezinho, com uns pães de queijo.
E sussurrou no meu ouvido: "Agora você tem permissão para cantar".
E logo somos preenchidos por aquela sensação gostosa de olhar através da mais nova parede derrubada e contemplar uma vista enorme e muito linda.
Muito obrigado, the wall breaker, espero te ver novamente em breve!

Pequenos momentos que formam um post 2.0

 - 13 -
Há algum tempo passava pela minha cabeça o pensamento de que, as pessoas "normais" não se importavam nem um pouco com a música que estivesse passando no lugar. Talvez seja verdade.
Mas, o 13 me fez perceber de uma forma bastante agradável que uma música com a qual nos identifiquemos pode salvar nossa vida nesses eventos cotidianos.

 - A Fábrica -
Qual é o sentido?
É tudo tão abrupto, tão explícito e vazio de significado.
Tão superficial.
E perguntas se tornam tão irrelevantes.
E a energia deles parece funcionar por sugar a minha.
E aquelas luzes tão fortes me machucam os olhos.
E cada estrondo sangra meus ouvidos.
E aquelas paredes negras me engolem.

 - O passageiro -
O passageiro do trem, com os olhos tão inchados, que estariam tão felizes por finalmente estar dentro do trem. Mas, isso seria apenas em sua mente.
Do lado de fora, o passageiro continua a puxar a caminhada dos queridos amigos até onde consegue.
Mas, as vezes, ele simplesmente não consegue.
Não há pele nos olhos grossa o bastante que consiga sempre conter a escuridão interna.
E quando a escuridão o põe de joelhos ao ponto de que ele simplesmente não consegue mais andar, o abandonamos sozinho, porque também não podemos o alcançar de dentro de nossa própria escuridão.

- A partida -
Quanto ao meu trem?
Talvez eu tenha perdido a viagem de mais cedo.
Acho que, vou ficar mais um pouco.
Me sento aqui com vocês, vamos conversar mais um pouco.
Ainda me parece que pegar o trem é o melhor a se fazer.
Mas, a companhia de vocês realmente me faz querer ficar mais um pouco. Talvez eu ainda tenha mais algumas coisas a dizer.
Por enquanto eu não vou pegar este trem. Prometo que vou ficar aqui, pelo menos até a tardinha.
Acho que a fraca luz dessa vela que tenho acendido me protege da infinitude do frio e escuridão o suficiente para, pelo menos começar a enfrentar a noite.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

It's pretty sad if you ask me

A trajetória de Vinícius foi interrompida prematuramente, deixando um vazio infinito.
Um fato trágico e que nos alerta sobre a necessidade de valorizar a vida, a importância de orientar o pensamento sobre o tema.
E o filme que se baseia neste fato se faz de maneira responsável, sem romantismos perigosos, sem detalhes desnecessários.
Um filme que exalta a beleza das criações do artista, e dá uma ideia da tristeza colossal que é causada com a sua partida. Como se um universo inteiro tivesse deixado de existir por causa de um momento em que um garoto desorientado e em grande sofrimento mental precisou da ajuda de alguém preparado, mas em vez disso, foi estimulado a cessar a própria vida.
Muitas lágrimas que caem no cinema e fora dele.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Money for nothing

O dinheiro seco que escorre pela boca
O dinheiro molhado, cheio de borra
Dinheiro analógico e dinheiro digital
Dinheiro comum, dinheiro normal

Ganha dinheiro! Ganha dinheiro!
Monta no porco e tira o pé do freio!
Chute no saco, puxa o cabelo!
Assina o contrato e foge com o recheio!

Sou meliante e fumo antrax
Bebo urânio de frente pra trás!
Nada me importa, eu ganho dinheiro!
Não sou herói, sou trapaceiro!

Apenas danço conforme a música
Num lançamento livre de astúcia!
Minha alma eu alugo sem nenhum receio
Tudo depende de quanto dinheiro

Ninguém te obrigou a me chamar aqui
Assim o fez somente porque quis
Se se sente mal, pule do abismo
E, para o seu deus, suplique armistício

Confiança só existe para os tolos
Dinheiro é o que me põe à frente de todos
E sigo em frente de cabeça erguida
Com tudo o que coube dentro da barriga

O nada que eu fiz é o tudo que entrego
Problema seu se para sempre estará cego
Pois o mundo é assim, astuto e traiçoeiro
Desapareça, morra, e me dê seu dinheiro.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Dança dimensional

Um cometa Lucy passa próximo do planeta deserto.
Um cometa Lucy já se colidiu com o planeta deserto num passado remoto, quando o planeta deserto ainda estava no processo de congelamento que o transformou numa bola de gelo errante.
E agora, o cometa passa a apenas alguns km da bola de gelo, aquecendo-a.

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Enquanto isso, em uma diferente dimensão do universo:
O planeta Fênix, formando um sistema binário na órbita de um outro planeta desconhecido, passa pela posição espacial do planeta deserto.
A posição espacial é a mesma, mas, em outra dimensão.
Uma dimensão é totalmente alheia à outra.
São perpendiculares entre si, e podem até se sobrepor, sem que nenhuma das duas perceba qualquer coisa.
Apenas a força destruidora maior tem o conhecimento do todo, e se delicia com a dança dimensional.

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Em sua própria dimensão, em sua pequena e desprezível bolha que contém todo o seu infinito, o planeta deserto já era uma bola de gelo admiravelmente formada e desprovida de qualquer sinal de vida. Na verdade, desprovida de qualquer sinal de qualquer coisa. Seus átomos já estavam o mais próximo que era possível do zero absoluto. (Mas, exponencialmente, é sempre possível se aproximar mais do zero...).
O planeta deserto sente a perturbação gravitacional do cometa Lucy, e algo começa a se mover em suas entranhas mortas e compactadas.
E o narrador observador se choca abruptamente com a borda da subdimensão de tempo presente na bolha do planeta deserto.
Não há como continuar contando a história por enquanto, pois o restante ainda está no futuro.

domingo, 2 de setembro de 2018

A primeira

Nada disso que você está pensando, seu pervertido!
(Ei, como alguém pode ser pervertido sem nem mesmo existir?)
Enfim, me refiro àquela de 2012, a primeira que teve uma grande coragem.
A garota que gostava de Beatles e que era o George Harrison.
Eu pesquisei no meu blog para ver o que eu tinha escrito sobre ela e encontrei... nada.
Sim, eu fui tão negligente, com alguém que foi tão importante, e que estava em um momento tão difícil.
Karine, ela existiu.
Eu realmente, profundamente, sinto muito por como as coisas aconteceram.
Naquela época, eu (travei nessa parte, porque simplesmente não tem como explicar... talvez lendo o blog naquela época, o leitor possa ter uma ideia. Mas nada que eu diga aqui é capaz de indicar o quão colossal pode ser a estupidez de um... ah, desisto).
Enfim, espero que esteja bem. Provavelmente está bem melhor do que eu.
Não sei se ainda existe alguma esperança de o escritor se tornar algum dia, num futuro distante, uma pessoa decente (alguns esforços estão sendo feitos.. the doctor...), mas, se num acaso algum dia nos vermos novamente, espero que eu tenha forças para te pedir minhas tão inúteis e insignificantes desculpas.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Saudade

Eu sinto saudade de uma certa ave, sim.
Uma ave mágica, que flutua em chamas pelo deserto, fazendo graça, passeando por miragens, se confundindo com o sol.
E também sinto saudade de mim.
Aquele era eu andando no deserto.
Caminhando persistente rumo ao horizonte que nunca chegava.
Onde estou eu agora?
Num dado momento, eu devo ter tropeçado numa pedra, caído no chão, sendo engolido pela areia.
Tanto tempo se passou.
Não tenho nem ideia de onde eu deixei eu.
Não sei nem mais onde está o deserto.

The doctor

Comecei a ir to the doctor semana passada.
E aquelas perguntas..
Me fazem lembrar de passados que já não parecem mais ter sido vividos.
São apenas fragmento de um filme que eu vi há um tempo atrás.
Talvez, eu sinta "saudade" desse filme.

domingo, 12 de agosto de 2018

The last song

A última aula de baixo.

Por que sair da aula de baixo?
É o horário?
Incapacidade?
O que você faz no fim de semana?
O que você faz no fim de semana?
O que você faz no fim de semana?

O que você andou tocando, ou gostaria de tocar?


Talvez o profissional possa nos dizer.
Ou, talvez o profissional possa nos fazer entender, para que nós mesmos possamos dizer.

Recuperar a saúde mental foi uma das metas do início do ano.

O lixo bate na porta mental.
Na porta da identidade.

O sono.
O sono supremo.
O sono esmagador.
O sono constante.
Se eu me deito, eu durmo o dia todo até acordar de noite para ir dormir de novo até o outro dia, e quando acordar no outro dia, acordarei com sono.
Não é dormir que satisfaz meu sono.
Meu sono exige mais.
Meu sono quer minha alma.
E assim ela se desvanece suavemente.
Toda a minha força a segurá-la já não é capaz de mantê-la.
E a fonte de força já se perdeu há muito tempo na tempestade de areia do deserto.
A tempestade já engoliu toda a luz.
Tudo é caos e elementos insignificantes viajando aleatoriamente em direções opostas.
Inconcordância plena.
Entropia.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Tapinha nas costas

Parabéns.
Como você é uma pessoa boa!
Você fez o melhor que pôde.
Você merece todo o sucesso, apesar de ter fracassado.
Você é muito inteligente, apesar de não usar o conhecimento para nada e repetir erros centenas de vezes.
Você realmente é muito ocupado e não tem tempo para nada. Somente por isso não possui foco e faz tudo mal, mas não é culpa sua.
Parabéns, você está indo muito bem. Você tem um futuro muito promissor.
Tapinha nas costas.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Dormir

Dormir para aliviar a dor.
Para fugir da dor.

Dormir para esquecer a doença do intestino.

Dormir para escapar do cérebro autodestrutivo.

Dormir para reduzir o prejuízo.

Dormir para não estragar o passeio.

Dormir para não estar sempre no lugar errado na hora errada.

Dormir para não errar a música inteira.

Dormir para não ser o ridículo maior.

Dormir para descansar da consciência, que se tornou a mais pesada das maldições.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Profissional

Pâncreas sonham com cavalos, eletricidade é mato.
Hoje fomos no profissional.
Tantas coisas foram discutidas, tantas coisas tão profundamente relevantes!
Uma dentre tantas dessas coisas foi a capacidade de dizer "Não!".
Devemos dizer NÃO quando não podemos seguir com alguma coisa.
Por isso mesmo disso não para o antenamento camerotérico!
This is the end!
O fim é o sucesso! O interruptado é o sucesso!
Hoje é o início da mudança!
Bora fazer esse trem dar certo!