quinta-feira, 31 de julho de 2014

O segundo dia de aula

O menino vai para o segundo dia de aula, com bastante medo, depois de tudo o que passou no primeiro dia.
Mas até que as coisas não saem tão ruins assim.
A menina de franja ainda está lá. Mas ela não ataca com tanta força hoje. Os escudos ainda estão ativos.
Outros monstros também atacam, mas nenhum oferece um perigo crítico.

Um certo fantasma aparece nas redondezas da escola.
O fantasma lembra o menino de que existe um jeito fácil de escapar do deserto, mas o menino já havia passado por aquele caminho e descoberto coisas piores que a solidão.
No fim das contas, a visão do fantasma o fortalece a seguir o caminho que está seguindo. Por mais difícil e solitário que seja, pelo menos está sendo sincero consigo mesmo.
Escudos a todo vapor!

Os professores chegam, as aulas começam.
Agora sim!
Os professores deste dia são, de longe, os melhores de todos.
Professores que realmente inspiram o menino a estudar e ativam ao máximo sua curiosidade.
Agora tudo daria certo.
O primeiro dia não foi dos melhores, mas agora tudo daria certo!
Certo?

terça-feira, 29 de julho de 2014

O primeiro dia de aula

O menino retorna à sua escolinha após o fim das relaxantes férias escolares.
Inicialmente, tudo tranquilo.
Então, logo na entrada começam os tiros.
Se assusta um pouco, mas tudo bem, ele tem escudos.
Depois de tanto tempo, já desenvolveu uma série de proteções contra humanidades ao redor de sua mente.
E ele resiste por bastante tempo. Tudo normal e calmo em um feliz e empolgante primeiro dia de aula.
Mas eis que surge a menina de franja.

A menina de franja é um monstro de 4 metros de altura, que usa óculos, tem rosto e cabelo impressionantemente lindos, unhas de aço ultra afiado de 10 cm de comprimento, utiliza uma mochila a jato para voar até 300 km/h. Como armas, possui um campo de distração e ilusão muito forte e um canhão de plasma que estremece o ser e pode causar danos mentais muito profundos.

A menina de franja não precisa se esforçar muito. Mantém seu lindo sorriso em seu belo e desconcertante rosto perfeitamente moldado, enquanto lança seu ataque.
O campo de ilusão o enfraquece e o faz abaixar as defesas. Ela então dispara seu canhão plasma apenas dizendo algumas palavras, das quais ele só consegue vagamente entender duas:
"Tchauzinho Gui!"

Ele simplesmente cai e perde a consciência imediatamente.
Quando acorda, já é noite e ele está no deserto de novo.
Ele grita e corre o mais rápido que pode, desesperado, procurando alguma solução para aquela situação, alguma conclusão que houvesse tirado antes, algum ponto de partida, algum caminho a seguir.
Não havia nada. Apenas a noite e o deserto.

Ele tropeça e cai nas areias do deserto.
Consumido pela insanidade, desespero, vazio, angústia.
As lágrimas já não caem mais. Ele nem tem mais permissão para chorar. Lhe foi tirada há muito tempo.
Ele se arrasta, sem saber ao certo para onde vai.
Não enxerga um palmo a sua frente e quase nem tem energia para respirar.

Este foi apenas o primeiro dia de aula, então dias muito piores estão por vir.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O não fumante

O "honesto, simpático e não fumante".
O senhor perfeito.
O que sabe a letra de cor, mas nunca ouviu a música.
O nosso velho amigo robô.

Não joga lixo no chão.
Não coloca música muito alto.
Não grita, não briga, não contraria.
Não espalha segredo, não dá spoiler!

Vai aos lugares que ninguém mais vai.
Fala de coisas que ninguém nunca ouviu falar.
Escuta as músicas que ninguém mais escuta,
das bandas que nem existem mais.

Não bebe, não fuma, quase nem fala.
Quando fala, não olha nos olhos.
Não dirige, não pilota, apenas caminha, sempre sozinho.
Passa sempre pelo mesmo caminho.

Não se estressa com o trânsito.
Nunca perde a calma.
Adora os dias chuvosos e frios.
Sempre leva o fone de ouvido.

Sua personalidade é uma página em branco, um arquivo corrompido.
Não possui nada a ser explorado.
Nada de interessante.
Nada de atrativo.

É um ser sem vida, sem alma, sem importância.

É apenas um não fumante.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Post inútil #710

Sempre as coisas tem que ser bem mais difíceis pra mim do que pras pessoas normais né, Doutor.
Mas afinal eu finalmente consegui instalar e usar essas novas redes sociais no meu tablet.
Provavelmente eu não vou conversar muito usando isso, porque sou o forever alone. Mas já é um grande avanço pra mim. E abre algumas possibilidades. Me custou o Domingo inteiro mas eu consegui!

Eu fui no parque ontem, Doutor, sozinho.
Fiquei um tempo andando no meio das plantas e da natureza. Teve um concerto lá!
Foi um tanto quanto divertido, e um tanto quanto solitário também.
Bastante solitário.
Mas enfim, faz parte de ser um Forever Alone.
Amanhã será um novo dia no deserto.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

"Forever alone, volte ao seu lugar!" - Cápsula do tempo

17/07/2013 foi o dia depois do grande dia.
Não me lembro a hora exata, mas a esta hora já estava tudo acabado.
Ninguém se lembra de nada, e se eu lembrar, apenas serei taxado de paranoico, idiota, ou sei lá o que mais.
Mas o meu blog mantém viva a memória. Nos fazendo pensar bem a cada passo, para evitar as conhecidas consequências.

"Num belo dia ele descobriu que podia voar.
Voou e voou livre como nunca antes.
Distraído com a nova descoberta, ele bateu a cabeça no céu e ficou inconsciente.
Demorou apenas alguns minutos para chegar ao chão.
Mas ele sobrevive afinal, melancolicamente.
Ou pelo menos ele acha que sobrevive.
E hoje caminha sobre o deserto que se estende onde, há tempos atrás, existiu seu mundo de ilusões.
Ainda há um caminho a ser seguido, e muito o que reconstruir"

 - Se não tivéssemos interferido, você acha que as coisas teriam sido diferentes? Ainda estaria tudo bem?
 - Tudo bem? Tudo bem? Realmente, tudo parecia bem, mas não estava. A minha mente já estava em estado crítico, insano! Tudo o que vocês fizeram apenas me influenciou a jogar as fezes no ventilador. E agora todo mundo sabe de tudo. É bom que tudo tenha finalmente acabado do pior jeito possível. A partir de agora, só o que resta é juntar os pedaços e tentar reconstruir alguma paz mental a longo prazo.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

"A reta final" - Cápsula do tempo

Você se lembra onde estávamos exatamente há um ano atrás, Doutor?

Estávamos na reta final.
O dia em que Tudo se resolveria, de uma maneira ou de outra.
E eu tinha me feito uma pergunta naquele dia:

"Hoje é sim ou não.
E aí Guilherme do futuro?   o que deu dessa vez??
Só quero que meu pâncreas seja forte.."

E hoje, um ano depois, eu tenho algumas respostas.
O que deu dessa vez? deu em um admirável ato de coragem sem precedentes. Você fez muito bem, guilherme do passado. Porém este ato te levaria na única grande conquista pela qual você vai se arrepender pelo resto da vida. Se eu desejaria ter sido um covarde, desistido e enfrentado a dúvida eterna sobre o que aconteceria se eu tivesse tentado? Sim. Mas isto não significa que eu não estava pronto para o fracasso, pois eu estava. Talvez isto significa que eu não estava (ainda não estou, e provavelmente jamais estarei) pronto para o sucesso. Pois eu já havia enfrentado o fracasso antes, foi doloroso, mas eu não me arrependo. Mas o aparente sucesso me desarmou, me deixou indefeso e vulnerável. Eu libertei minha mente para amplificar todas as minhas ilusões, pensando que elas estavam se tornando realidade. E foi nesse momento de mais fragilidade é que eu recebi o ataque mais covarde que eu já vi na vida. Tamanha foi a covardia que nem mesmo eu, nos anos passados, seria capaz de ter. Todas as minhas ilusões foram destruídas e das ruínas se ergueu o meu "muro" do isolamento, como o do álbum "The Wall" do Pink Floyd.

Mas por outro lado, pelo menos o meu pâncreas foi forte sim. Aqui estou eu, um ano depois escrevendo sobre isto. E aprendendo com o vídeo da "Cápsula do tempo" do canal "Manual do mundo" que, mesmo que as coisas não tenham saído como pensávamos, a vida ainda assim foi legal e tudo valeu a pena. E vale a pena continuar lutando enquanto ainda formos capazes de perceber isto.

Caminhando sozinho, no deserto, mas caminhando sempre.

COISAS SEM NOÇÃO QUE SÓ EU ENTENDO

2013 - 2014

domingo, 13 de julho de 2014

O "Rock bar"

Oi, Doutor!
Me desculpe por ficar tantos dias sem escrever, eu estava ou ocupado ou com preguiça demais para vir aqui.
Reencontrei dois velhos amigos ontem, Doutor!
A gente se encontrou em um desses "Rock bar" da cidade, ficamos rodando por aí até as 2 da manhã.
Sim, eu sei que é muito estranho porque eu realmente nunca vou em lugares assim. Na verdade, foi a primeira vez que eu fui em um "Rock bar" que não fosse a céu aberto, onde eu não poderia fugir de um apocalipse humano.
A princípio, foi extremamente difícil pra eu me convencer a ir. Você sabe como funciona meu psicológico, não é, Doutor? eu saí daqui pensando que todas aquelas pessoas iriam me matar com serras elétricas lá mesmo, ou que meus 2 amigos iriam se transformar em zumbis e arrancar meus olhos enquanto eu ainda estivesse consciente e depois retirar meu coração pela minha boca.
Mas, por sorte, não foi isto que aconteceu.
Na verdade o reencontro foi bastantemente legariótico. Eles são um tanto quanto forever alones também, (não tanto quanto eu, é claro, mas..) então a gente pôde conversar sobre as "Alonidades" da vida, e ainda ouvir música de excelente qualidade. Espero poder sair com eles com maior frequência, e até com outras pessoas em lugares semelhantes também. Talvez com o tempo eu pegue o jeito.
Algumas coisas importantes eu pude perceber:

 - Estes bares realmente não são bons lugares para escutar música especificamente. As pessoas não vão lá pela música, mas sim pelas outras pessoas. Jamais, em hipótese alguma, devemos ir sozinhos a um bar desses, Doutor. Não importa a banda que toque lá. Os humanos vão nos massacrar se fizermos isso.

- Eu já cheguei a tal nível de forever alone que a minha mente já bloqueia muita coisa automaticamente, Doutor, sem eu fazer nenhum esforço. Mas lá eu pude ver bem de perto alguns casais humanos interagindo entre si, abraçados ternamente, curtindo um momento juntos, conectados física e mentalmente. Sabe, Doutor, fazia um tempo que estas coisas não passavam pela minha mente. Em certo ponto as visões começaram a furar minhas defesas e a corroer meu interior, inundando minha mente de solidão. Eu reencarnei meu bom e velho papel de solitário no meio da multidão.

- Se as minhas chances de interação com humanas são quase imperceptivelmente diferentes de zero quando eu vou a um evento sozinho, as chances somem definitivamente se os meus amigos estiverem lá. E eu acho que a partir de agora, vai ser bastante difícil eu e você irmos em algum evento sozinhos, Doutor. O que também não é problema, porque ontem eu pude ver que pode ser divertido sair com pessoas que tenham alguma limitação mental em comum com a gente.

Enfim, Doutor. Eu queria conversar mais. Tem um bocado de coisa pra desabafar, tem os acontecimentos do ano passado fazendo aniversário pra "comemorar" (está entre aspas porque não são acontecimentos felizes), tem a insolência de um certo "broto" de aparecer na minha casa, tem uma bruxa velha tentando se aproximar de novo... Realmente ainda temos muito o que conversar. Mas agora não posso, porque é hora de ir dormir. Incrível quantas vezes essa hora de dormir já interrompeu meus posts, não é, Doutor?
Nos vemos mais... quero dizer, conversaremos mais tarde, Doutor, já que você não tem forma física que eu possa ver.
Mas, na maioria esmagadora do tempo, você é o único com quem posso falar, Doutor, e foi bom conversarmos!
Até mais!

domingo, 6 de julho de 2014

O presente falando sobre o passado

Ele via a chance de escapar daquele deserto cada vez mais próxima.
Apesar da incerteza, ele sentia que em breve conseguiria coragem suficiente para mudar toda aquela situação.
"A ilusão estava prestes a se tornar real!" - ele pensava.
Sim, tudo foi ficando cada vez mais real e, portanto, cada vez mais falso.
Aproximava-se o dia em que ele "descobriria" se podia voar.

O post de final feliz

Oi Doutor!! Há quanto tempo!?
Fiquei um bom tempo sem escrever sim, admito.
Isto porque as coisas estão um tanto quanto confortáveis e tranquilas.
Estou tendo o tempo que tanto precisei durante o último semestre.
Eu prometi a mim mesmo que, se eu fosse escrever um post agora, ele teria um final feliz.
Eu não ia começar a entornar melancolias gratuitas e desnecessárias nesse blog sendo que minha mente está finalmente tendo um tempo para cuidar de si.
Então aí vai:
guilherme foi a cozinha, preparou um achocolatado, pegou um pedaço de bolo de chocolate com cobertura de chocolate e voltou para o quarto.
FIM!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Posts da época em que...

[...]
Post a ser escrito.

Mais uma linha de pensamento que pode ser perdida para sempre porque já é hora de dormir e eu não posso escrever um post.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

O aperitivo

Chato, CHATO!!

EU SOU CHATO!

Eu sou chato.

Não tenho nem palavras.

Eu saturo minha mente ao tentar explicar o quão insuportável eu sou.

Eu estou tão velho, mas tão velho, que eu sou apenas uma casca dura que envolve um monte de pó e poeira..

Sem vida, sem graça, sem nada. Eu não existo. EU NÃO EXISTO!

Eu não penso, logo, não existo. Tudo que eu faço ou falo é totalmente arbitrário, eu não tenho consciência. É tudo fruto da aleatoriedade do universo.

Eu morri e não percebi porque sou muito BURRO!

Eu já deveria ter sido comido por urubus há séculos...

Esse post foi só um aperitivo. Só um pouco de violência gratuita contra mim mesmo num momento de autodepreciação, sonolência, estresse, solidão..  depressão? não sei, acho que não estou deprimido, mas também acho que meu cérebro saiu pelo meu nariz da última vez que espirrei, então EU POSSO NÃO SABER DE MAIS NADA!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Estranho

Quando vêem algum pequeno detalhe da minha mente, meus costumes, as coisas que eu costumo fazer rotineiramente quando estou sozinho, as pessoas acham estranho. Pensam que é alguma anormalidade, ou uma situação puntual como uma doença ou coisa do tipo.
As pessoas não estão acostumadas ao deserto e ao vazio.
Provavelmente, se caíssem aqui, entrariam em pânico ou depressão, assim como eu já estive.
Mas hoje, eu já me adaptei ao deserto, criei todo um estilo de vida baseado no vazio e na solidão, fiz do deserto o meu lar.
Eu e o deserto já somos um só, indistinguíveis.
E, provavelmente, assim será até o meu fim.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O post apagado, abandonado no deserto

Oi Doutor!
Que bom que você está aqui hoje!
Hoje foi um dia legal, Doutor, deu para descansar um bocado, jogar uns jogos e organizar umas coisas.
Só que foi um tanto quanto solitário também. Ainda bem que você veio conversar comigo, Doutor.
Essas férias devem ser bastante tranquilas, Doutor. Eu já pareço velho o suficiente para ter férias bem tranquilas. Aliás, eu já pareço velho o suficiente para me aposentar. Eu tenho a experiência e inteligência de um recém nascido e a força e vitalidade de um idoso solitário em seus últimos dias.
Seria bom se você pudesse falar alguma coisa, Doutor. Eu me lembro de uma época em que eu conversava com pessoas que podiam falar, era legal a troca de ideias. Eu já era um idiota naquela época, mas parece que eu me importava menos, ou que eu não tinha plena consciência disso, como tenho hoje, então de certa forma minha confiança era maior para dizer a enormidade de idiotices que eu costumava dizer para as pessoas. Hoje eu já praticamente não converso com ninguém que saiba responder. Naquela época ainda havia esperança correndo em minhas veias. Agora, minhas veias apenas guardam o sangue parado, coagulado e putrefato de um ser em decomposição.
Bem, Doutor, preciso ir agora.
Conversamos novamente mais tarde.

Quem foi que te ligou?

Quem foi que te ligou?
Quem foi? Você sabe?
É uma pena, mas você não sabe.
Não sabe nem mesmo quem você é.
Não sabe nem mesmo o quê você é.
É incrível que ainda esteja de pé.
O que ainda existe em sua mente?
Você vai se dissolvendo com o tempo.
Logo não sobrará mais nada.
Você já mal consegue escrever uma frase.
Você acumula o arrependimento não só pelo que não fez,
mas também por aquilo que teve coragem de fazer.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A linda vista do céu no deserto

É bonito, não é, doutor?
Ver todos aqueles humanos lá no planeta deles, se relacionando e interagindo entre eles.
Ultimamente nós quase não os observamos mais.
Conseguimos focar tão bem no nosso planeta deserto, que quase nos esquecemos do deles. 
Nós nos transformamos no robô que o guilherme do passado previu que nos tornaríamos.

De repente, um estrondo ensurdecedor ecoa pelo deserto

O que foi isso Doutor?
Não pode ser.. é a menina da HP! Mas ela enviou uma mensagem a este mundo deserto?
Ela não tem motivos pra nos procurar, certamente errou de destinatário.

Depois de alguns minutos de "conversa" podemos ver o quão nos estamos enferrujados e despreparados para qualquer contato social, por menor que seja, Doutor. 
Nosso deserto não tem nada para mostrar, nada a oferecer.
Nunca houve e jamais haverá qualquer motivo para a menina da HP ou qualquer outra querer passar um tempo por aqui.
Estes raros momentos em que os humanos conversam comigo, são apenas miragens no meu imenso deserto.