segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Morto

Tudo bem.
Eu estou morto.
A partir de hoje eu estou morto.
Não que eu tenha me suicidado, ou mesmo morrido.
Morto, ainda posso caminhar por aí, por enquanto.
Mas é que não há muito a se fazer.
A minha mediocridade se tornou uma infecção progressiva, generalizada e incurável.
Eu sempre fui um tapado, mas antes eu me interessava tanto por algumas coisas.
Agora, não sei mais.
Tudo está "bom" do jeito que está.
Não há nada a ser dito.
Pouco a ser experimentado.
E o que tem grande potencial não vale a pena o esforço, ou é impossível.
Eu sou a definição do vazio.
A ausência da mente.
Bem menos do que um animal.
Muito mais inútil e frio do que um robô sem energia.
Eu não sou uma pessoa.
Eu não sou nada e meus parâmetros não se comparam com o de uma pessoa.

Ok, sei que meus exageros estão exageradamente exagerados.
Só estou cansado.
Só quero dormir um pouquinho, ou bastante, ou muito mesmo até acabar tudo.

Somos fezes porque, um dia, alguém veio e nos disse que somos fezes e nós acreditamos.

domingo, 28 de agosto de 2016

Invisível

Sim, eu sou invisível.
E sei que é cansativo ficar fingindo que eu existo.
É quase um trabalho.
Não é algo que se faça num fim de semana.
Fim de semana é para fazer coisas legais e descansar.
Não pra ficar fingindo que eu existo.

Haha! Eu mereci!
Eu fui muito idiota.

Tudo bem, tudo bem, eu estou bem.
Não foi nada demais.
Só eu dando ponta de faca em murro.
Faca em murro de ponta.
ponta de murro em faca.
murro em faca de ponta.

Celebremos a incapacidade!
Retardabilidade!
Ausência total da capacidade de aprender!

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Quem?

 - Quem?
 - Pode ser metade minha e metade sua.
 - Hum legal.. Mas, porque você não me diz isso de verdade em vez de só ficar só imaginando na sua cabeça 1 milhão de vezes e depois escrevendo no blog?
 - Eu queria tanto.. realmente queria tanto poder te dizer isto, e tantas outras coisas. Mas eu não posso.
 - Por que não?
 - Porque você já deixou bem claro que não quer ouvir.
 - Ok, mas você pode desabafar, eu não vou te impedir disso..
 - Eu sinto muito... realmente sinto muito que tudo seja assim. Mas, não há mais nada que eu possa fazer. Isso só é possível aqui na minha mente, mesmo.
 - É uma pena..
 - Sim, é uma pena...

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Inércia

O piloto, de repente, se cansa.
Larga os controles no modo manual.
Sai da cabine e resolve tirar um cochilo.
Os passageiros dormem sossegados.
Ninguém em pânico.
Ninguém aflito.
Ninguém sequer alarmado.
A calma absoluta reina.
O vazio paralisa e anestesia.
Em meio à chuva de lágrimas.
No avião errante.
Que ainda flutua, por inércia.
Por enquanto.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

"Não estou fazendo nada"

Foi um feriado bastantemente legariótico.
A bike me leva cada vez mais longe, para lugares cada vez mais legais.
E ainda há muitas aventuras a serem trilhadas.
Esperança no futuro.
Até baixei aquele trem patético de novo (apesar de ainda estar morto de preguiça com aquelas pessoas difíceis do "não estou fazendo nada").

Acho que minha cura agora finalmente voltou a progredir.

Agora essa semana vai ser pesada..
Mas, acho que eu aguento!

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Excesso de passado

Eu tenho este grande amigo que realmente está se esforçando astronomicamente para me salvar da deprê.
Bem, eu não sei ao certo o quanto eu estou afundado, atualmente.
Esses dias eu estou meio mau, mas talvez seja só uma recaída.
Talvez em breve eu esteja bem melhor, ou não.

Este amigo me disse que a ansiedade é o excesso de futuro, e o excesso de passado é a depressão.
Será que é isso mesmo?
Então, logo eu que tenho a memória tão péssima, estaria afetado por um excesso de passado?

Bem, na verdade faz sentido, pois não há muita coisa (talvez, não haja nada) no presente que justifique esses meus maus momentos.

Ele também me disse que o passado não precisa ter nenhuma importância e que eu sou responsável e tenho controle total sobre a minha vida a partir de agora.

No momento em que ele falou isto, estávamos caminhando por um corredor e havia algumas meninas bem bonitas lá.
Eu me imaginei falando qualquer coisa aleatória para uma delas, e então fui atingido por um medo infinito, um terror, pânico.
O medo só de imaginar em falar com alguém desconhecido, principalmente sendo uma menina.

Provavelmente este medo também tem relação com algum excesso de passado.
Meu cérebro parece ser otimizado para auto destruição.

Enfim, tentarei escrever mais sobre isto depois, é uma discussão que pode ser significativa para a minha cura, mas eu estou com muito sono agora.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Dedos

Como uma placa tectônica flutuando num oceano de sonhos destruídos.
Os "Sabe tudo" que ninguém aguenta.
Os "idiota acadêmico".
Agora é tão tarde para descobrir isso.
Se eu soubesse antes, eu teria feito diferente.
Mas agora estou velho, pois não há mais nada pelo que valha a pena lutar.
E eu não sei fazer nem um pedaço de merda daquilo que costumava ser a única coisa em que eu era pelo menos minimamente bom.
Minhas lágrimas são urina escorrendo pelos meus dedos.

sábado, 6 de agosto de 2016

Fezes da moda

Uma das personalidades de Sclepser morava em uma cidade onde as pessoas adoravam comer fezes de pombos.
Ele, obviamente odiava, e por isso acabava sendo uma pessoa bastante solitária.
Após tantos anos de isolamento, Sclepser decidiu finalmente começar a comer fezes, e fazer isso de fato melhorou um pouco sua vida social.
Algumas semanas se passaram e veio uma nova febre: Fezes de cachorro!
Eram tão melhores! Maiores! Mais quentinhas e suculentas!
Pombos estavam ultrapassados, só mesmo Sclepser para fazer algo tão não usual.
Sclepser estava sozinho novamente no mundo das fezes de pombo.
Num esforço monumental, Sclepser começou a comer fezes de cachorro também, e até que se acostumou bem com isso.
Novamente, Sclepser recuperou um pouco da sua vida social.
Mas não por muito tempo.
Os tempos estão sempre mudando.
E agora todo mundo só queria saber de uma coisa:
"Hei! para que utilizarmos animas para produzir as fezes que comemos?"
"Que burrice! Nós temos nossa própria fonte de fezes nos seguindo o tempo todo!"
Isso mesmo, assim começa a nova moda: Se alimentar das próprias fezes.
Sclepser se senta em um banco num ponto bem deserto da cidade.
Um grande cansaço cai sobre ele.
"Isso realmente não é para mim. Eu nasci tão errado.."

...

"Se eu soubesse que demoraria tanto, eu teria ido dormir."

Cagare feder

Cagare feder
Cagare feder
Cagar e feder.


Para as montanhas vamos nós, eu e Cagare Feder.
Cagare Feder é um grande amigo meu, nós gostamos muito de subir montanhas juntos.
Mas, quando subimos, ficamos com preguiça de descer e morremos lá em cima.
Já fizemos isto várias vezes.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Para

"Para, vei! para!"

Eu sei, eu pareço um peso morto, as vezes.
Eu estou tentando melhorar isto.
Pode demorar um pouco.
Ainda está sendo muito difícil manter um "alto astral".
Estou tentando fazer coisas que gosto e pensar positivo.
É uma forte luta interna para eu manter assim.
Talvez eu vá melhorando com o tempo...

Fênix



Finalmente consegui gravar esta música.
Fazia um bom tempo que eu estava querendo gravar.
A música inspirada na Fênix, e dedicada para ela (e que ela nunca vai escutar).
A Fênix que partiu do deserto.
Verdade é que a Fênix nunca esteve aqui.
Foi tudo apenas uma grande miragem, ilusão ou alucinação.
É fácil perder a cabeça no deserto.
Sabe-se lá onde pode estar o andarilho agora.
Provavelmente foi engolido por alguma outra criatura que também só existe em sua cabeça.

sábado, 30 de julho de 2016

Disquete

Não sei ao certo de onde estava saindo, ou para onde estava indo.
Mas, a cidade foi ficando para trás.
Passei por uma longa estrada rodeada apenas por vegetação e acabei chegando em um sítio desconhecido.
Nesse sítio tinha uma menina e ela não tinha um rosto, apenas um vulto, uma ideia que representava uma garota.
A menina tinha uma câmera digital que salvava as fotos em um disquete e me disse que não haveria problema nenhum em ficar comigo.
Nós nos beijamos e ficamos abraçados por um bom tempo, e então passamos a explorar aquele lindo lugar.
Tiramos muitas fotos, muito mais do que realmente caberia em um disquete.
As fotos eram muito bonitas e coloridas, com cores e formas distorcidas, bastante diferentes daquelas presentes na cena original da fotografia.
Estava sendo um dia maravilhoso, era tão bom estar ao lado dela.
Ao por do sol, nos abraçamos sentados em uma arvore caída e ficamos admirando uma bela paisagem natural.
Ela me disse que tudo estava sendo muito bom, mas eu precisava acordar.
Não entendi muito bem na hora, não pensava que ela estava sendo literal, pois não havia percebido que tudo era um sonho.
Mas, eu estava tão feliz de simplesmente ouvir ela falar que não interrompi.
Ela disse que gostava muito de mim, e que era uma pena que minha vida estivesse no estado atual.
Disse que meus medos extremos têm grande potencial para me exterminar, mas que havia um pingo de esperança.
Disse que certamente vai demorar muito tempo para eu deixar de ser matéria orgânica de comportamento aleatório e passar a realmente ser uma pessoa com várias características, habilidades, comportamentos e complexidades, e que então eu, talvez, poderei manter relacionamentos mais profundos com as pessoas ao meu redor. Isso se algum dia eu realmente chegar a ser uma pessoa.
Depois ela me abraçou bem forte e disse que era hora de ir, para eu aguentar firme.
Abri os olhos e estava no meu quarto, deitado na cama.
Era tudo um sonho.
Porque eu tenho sonhos assim?
Talvez eu tenha comido demais antes de dormir.
Ou talvez isso seja normal para quem é composto por fezes.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Celibato

Celibato era um jovem que não conseguia trabalhar direito com tanto barulho na cabeça.
Celibato tinha um relógio que sempre marcava a hora errada.
Celibato bebia três copos de café de manhã, quatro de tarde e dois de noite, para não atrapalhar seu sono.
Celibato gostava de usar meias de cores diferentes.

Ele estava sempre solitário, sempre. Mas raramente estava sozinho.
Era tanta gente ao seu redor, pessoas que falavam outra língua, comiam coisas horríveis e viviam arremessando fezes uns nos outros.
Ninguém arremessava fezes em Celibato, pois o mesmo asco que ele sentia das outras pessoas, as outras pessoas sentiam por ele.
Mas, ele era obrigado a ficar vendo aquela guerra de fezes o tempo todo.
E aquilo o estressava cada dia mais.

Celibato era apaixonado por uma garota, que parecia exatamente igual a todas as outras pessoas que ele conhecia.
Depois de um bom tempo obcecado, sempre tentando esconder e pensar em outra coisa, mas falhando, ele se declarou para ela.
Ela defecou na mão, olhou para as fezes e olhou para Celibato com um olhar triste.
Estendendo as mãos cheias com excrementos densos e quentes, disse a ele:
"Celibato, o que é isto para você?"
"Hum, são fezes?"
Ela então deixou as fezes caírem no chão e olhou novamente para Celibato.
"É uma pena", disse ela, e então passou a mão no rosto de Celibato.
"É realmente uma pena, Celibato. Espero que entenda a situação".
A garota então deu meia volta e voltou para uma guerra de fezes bastante acalorada que estava acontecendo do outro lado da rua.

No dia seguinte, Celibato adentrou em uma selva para poder passar um tempo sozinho.
Andou dez metros, escorregou em uma irregularidade, bateu a cabeça em uma raiz e fraturou o pescoço.
Ficou inconsciente por 50 minutos e então morreu.

Algumas pessoas conheciam Celibato.
Todas elas sabiam que ele não era um cara normal.
Na verdade, todos esperavam que a qualquer momento, Celibato fosse iniciar uma grande viagem ao redor do mundo sem avisar a ninguém.
E foi isto que todos pensaram que havia acontecido.
Nenhuma dessas pessoas se questionou onde ele estaria, e todas elas se esqueceram completamente da existência de Celibato após algum tempo.
O corpo de Celibato se decompôs completamente, e jamais foi encontrado por nenhuma civilização futura.

domingo, 24 de julho de 2016

Até onde se vai pedalando

Todos os bastantemente numerosos leitores do meu blog já sabem que, quando eu sumo daqui é porque as coisas andam melhores, ou porque eu estou morto (e eu já andei bem morto por aí por um bom tempo).
Dessa vez, as coisas realmente melhoraram bastante.
Minha bike está realmente salvando minha vida.
Estou visitando diversos pontos da cidade, cada vez mais distantes.
Ainda estou iniciando o processo de viver.
Eu estava muito morto, e não é tão fácil sair disso para uma "vida plena" num instante, leva algum tempo e eu nem sei se realmente vou melhorar tanto assim.
Por exemplo, ainda não estou conseguindo assistir quase nada de filmes e séries. Só mesmo coisas que sejam muito "felizinhas".
Também ainda não voltei a tirar tantas fotos dos lugares que eu vou (mas isso também é porque eu estou saindo mais à noite, e a câmera não é tão boa para fotos noturnas).
Mas, estou evoluindo bem.
Voltei para a academia, e consigo ir quase a qualquer lugar da cidade. 
Ainda há tanto para explorar!
A solidão está quase no máximo. (Talvez por isto eu esteja escrevendo assim no blog, porque não tenho ninguém com quem conversar).
Mas, creio que em breve devo ir evoluindo mais isso também.
É engraçado posts assim. Parecem cartas para ninguém.
Enfim, então até mais, ninguém!
Obrigado por me ouvir!

domingo, 17 de julho de 2016

O veículo

Eis que surge o veículo.
Do nada.
Tão inesperado quanto a própria vida.
E que pode ter vindo para salvar uma vida.
Um bem material?
Uma posse?
Uma bicicleta?
Uma saída.
Uma esperança.
Uma luz para quem já quase não enxergava.
Uma promessa de exploração.
Mudança de perspectiva.
O primeiro passo de uma longa jornada.
Liberdade.