domingo, 23 de abril de 2017

Forjado incapaz

Preciso de ajuda.
O que fazer quando você tem alguma coisa bastante complicada e super importante para entregar em um curtíssimo prazo e não tem sequer a mínima motivação para fazer?
Não consigo olhar para a tela do meu computador por 2 minutos ininterruptos.
Como eu queria poder estar em um lugar calmo e silencioso.
Por mais que eu esteja trancado no quarto, a barulheira que vem de fora faz doer minha cabeça.
Como eu queria que tivesse alguém aqui, nem que seja para me dar um chute se eu não evoluísse esse trem logo.
Mas neste deserto, eu vejo apenas areia para todas as direções até a infinitamente distante linha do horizonte.
Eu preciso de ajuda, mas, nem eu mesmo sou capaz de me ajudar.
Eu não sei o que fazer..

A maçã podre

Eu também estou com uma maçã podre enfiada em minha carne.
Igual ao pobre Gregor.
Tudo ficou tão melhor depois que ele se foi, coitado.
E a maçã na minha carne vai apodrecendo cada vez mais, corroendo minha carne, minha alma.
A esse ponto eu não sei mais o que é meu cérebro e o que é uma lasanha estragada. Por segurança, joguei os dois fora, porque lasanha estragada até que dá pra comer, no pior dos casos você pega uma diarreia, ou infecção intestinal, nada grave.
Mas, meu cérebro é algo que realmente não é bom chegar nem perto agora.
É pior que arma.
Pior que raio.
Pior que cama elástica que se quebra.
Pior que a vida.
Pior que 3 fins de semana perdidos.
Aquele momento em que o fim parece ser um ponto de som e luz e todo o resto parece ser uma esfera negra, silenciosa e dominante,
Não há som nem luz, exceto pelos emitidos pelo fim, aquele ponto de som e luz.
Codificado com alta taxa de compressão e diversos dispositivos altamente eficientes para correção de erros durante a transmissão.

Muitas coisas deram terrivelmente errado nesses últimos 5 anos.
Quero dizer, o processo normalmente já deve ser difícil com as coisas dando certo.
Mas, com elas dando tão errado, eu nem sei como foi possível chegar até aqui.
E não, não tinha necessidade de dar tão errado.
Ok, eu não vou ficar reclamando.
Mas, a motivação se foi.
Muita coisa se foi, e foram tantas reconstruções a partir de ruínas.
É pegar uma casa, destruir, construir de novo usando apenas o material que foi demolido.
E repetir o processo, repetir de novo, repetir de novo.
A casa está lá, mas está construída de pó compactado, madeira colada com fita adesiva, restos.
A maçã podre.
Não podemos exigir muito de mim.
E não tem ninguém que vai me dizer pra eu segurar firme, que tudo vai dar certo.
E eu já me acostumei com isso, não faz mal nenhum.
Não, não vai ficar bom, mas vai ter que sair.
Alguma coisa vai ter que sair.
Por mais que a mediocridade atinja o infinito.
Não é significante, pois, tudo, na verdade, está além daquele ponto.
O ponto de som e luz.
A maçã podre.
O fim.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Sobrenaturalidade

O meu ceticismo sobre as coisas sobrenaturais não é capaz de me proteger delas.
Hoje mais cedo, conversava com meus colegas de trabalho sobre um desenho animado muito bom e que eu me identificava muito com o protagonista que tinha uma paixão tão intensa com uma certa princesa Bubblegum que não dava bola para ele.
Um deles me perguntou "quem era a minha princesa Bubblegum" e, assim, a imagem vívida da Fênix revisitou e aqueceu minha mente após tanto tempo.
Eu apenas disse que não era ninguém e ficou por isso mesmo.
Mais tarde, andando pelos jardins da faculdade, eis que a vejo, majestosa ave a pairar por entre as árvores, tão bela. Olho para o outro lado e aperto o passo. Já estou atrasado, tomara que ela não tenha me visto. Tudo está indo tão "bem", não é hora de perder a cabeça.
Após a primeira aula, quase no fim do intervalo, eu me reunia com colegas para discutir o trabalho que apresentaríamos na próxima aula quando, de repente aparece na porta a criatura de blusa de frio (como sempre), óculos, longos cabelos levemente avermelhados, sorrindo, acenando para mim. Quase como se dissesse "Ei! Eu queria conversar um pouco com você, mas parece que você está meio ocupado agora, talvez seja melhor depois". Eu sorrio e aceno de volta e ela vai embora.
É claro que ela não queria dizer nada. Estava procurando alguma outra pessoa e não encontrou, só isso.
Todo o resto é apenas a criação de uma mente inaceitavelmente perturbada e irrecuperavelmente danificada.
Isso se é que ela de fato apareceu naquela porta, ou naquele jardim. Talvez ela nem sequer exista.
Não sei se isso seria pior ou melhor.
Talvez seja apenas mais uma das tantas sobrenaturalidades, que eu renego tão indiferentemente e que me perseguem tão insistentemente.

domingo, 9 de abril de 2017

2 meses e meio!

A pressão aumentando.
E a decisão pesando.
A vida chamando.
O andarilho congelado move os olhos rapidamente.
Inconsciente.
Trincando o gelo de suas pálpebras.

A contagem regressiva vai regressando.
O Pâncreas vai defecando.
Auto defecando.
As fezes caem em si.
As fezes voam e formam o show espetacular no céu.

Onde não existe aurora.
Onde não existe a luz.
Onde não existem os olhos.
Onde não existe o toque.
Onde não existe pensamento.
Onde não existe sentimento.
Onde não existe o calor.
Onde não existe a humanidade.
O show é bizarro, sinistro.
O show é de fezes.
O show é espetacular no céu.
É o show de fezes a voar, flutuar e bailar.

E tudo vai se espremendo.
As paredes vão se aproximando cada vez mais.
Retorcidas.
Distorcidas.
Errôneas.
Agressivas.

O gelo cortante e agressivo.
Dominante.
Esmagador!

2 meses e meio!
Ei!
Ei!! acorda!!
Falta só mais 2 meses e meio!
Aguente firme!
Fique aqui comigo!
Não, não vá embora!
Ei andarilho! Quantos dedos tem aqui?

Das nuvens vejo o solo ao meu encontro.
Sei que estou fazendo tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.

Mas, tudo bem, não pegue tão pesado consigo mesmo.
Aguente firme!
2 meses e meio!

terça-feira, 4 de abril de 2017

Harmonia fecal em câmera lenta

Algumas coisas, quando vão chegando perto do fim, vão se alongando.
É como se, a proximidade do momento final fosse distorcendo o tecido do tempo, expandindo-o.
Até que chega o momento em que tudo anda em câmera lenta.
A beleza das fezes flutuando no ar.
Bailando no ar.
As fezes no ar.
E aquele momento que se alonga e se alonga.
A pilha do relógio ficou fraca, e ele parou.

domingo, 19 de março de 2017

Aventuras criogênicas

O sol torra até mesmo os grãos de areia do deserto.
Mas o andarilho está lá, congelado, completamente insensível a tudo isso.
Ele está morto.
Foi congelado, para que pudesse suportar aquele determinado momento que o matou.
Ele está morto.
Mas, está congelado.
E ainda há uma pequena esperança de que ele seja reanimado algum dia, afinal.
É uma esperança pela qual vale a pena resistir.
Só temos que esperar mais um pouco.
Aguente firme, andarilho.

quarta-feira, 8 de março de 2017

24 translações de fezes

Então, mais um aniversário.
Eu odeio tudo, todos, eu e você.
E eu estou morto.
Mas, isso não significa que eu esteja morto, e nem que eu odeie tudo, todos eu e você.
Mas eu odeio e estou.

Eu finjo o tempo todo.
Minha cabeça é como uma televisão em Júpiter, celebrando a estática sem sentido da radiação cósmica estocástica.

Para eu ser considerado oficialmente morto agora, é só uma questão de formalidade.

Mas, não que alguma coisa esteja ruim, não, está tudo ótimo.
Tudo ótimo.
É como se as fezes voassem espontaneamente em nossos rostos.
Sem nem precisar pagar.
Nem precisar pagar.

Olhem pra mim!
Eu sou completamente invisível!
Invisível, imperceptível.

Eu fiz mais um aniversário.
Agora eu tenho 24 anos.
Acho que eu preferiria não ter feito.
Ou feito mais tarde, de tardinha, quando o sol já tivesse mais fraco.
E a vida menos viva.
E o ar mais rarefeito.
E a terra mais etérea.
E a luz mais escura.
E a temperatura mais fria.

A vida que escorre vermelha de meus ouvidos pinga no chão e fertiliza a terra.
Dela nascem os seres.
Os seres do outro mundo.
Ou dos outros mundos que só existiam na minha cabeça.
E que vão pingando pelos meus ouvidos.
Até que a carcaça que sobre totalmente sem vida saia flutuando errante,
Morto.
Os guarda chuvinhas que saem de meus olhos alimentam as abelhas gigantes cujas asas davam origem ao universo que ninguém jamais ouviu falar.
Minhas mãos finas e quebradiças atravessam tudo o que tocam, pois não mais se movem fisicamente, apenas nas memórias daqueles que já as viram antes.
Meu pescoço entrincheirado canta mais contente, sem precisar se preocupar com os fluxos de ar, sangue, urina e tudo mais.
Meu sangue fica mais leve e correto com todos os venenos cotidianos que tando fedemos e amamos.

Parabéns pra mim.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Quando eu tiver feito biscoito

Será que quando eu tiver feito, alguém vai ler isso?
Não sei ao certo quando vai ser.
Ei, você que está lendo isso, eu já fiz?
Quero dizer, eu não estou mais aqui?
Quanto tempo eu demorei?
Eu cheguei a terminar a faculdade?
Eu cheguei até o fim da semana?

Quero dizer, estou falando daquele biscoito, é claro.
É claro.

Carnaval

A urina caiu sobre nós pouco antes que a morte o fizesse.
Não havia confete e nem música.
Apenas urina e morte.
A morte cairia sobre nós como uma benção.
Era carnaval.
O carnaval era igual a vida.
Sujo, imundo, nojento, e todo mundo estava alegre e sorrindo.
O carnaval era igual a vida: ficamos nos perguntando o que todas essas pessoas estavam fazendo aqui sendo que não há nada aqui.
O carnaval era igual a vida: morto, cinza, sem cor.
O carnaval era igual a vida: nós não queríamos estar nele.
O carnaval era igual a vida: depressão, solidão, anseio pelo fim.
O carnaval era igual a vida: chove urina envenenada, e nós abrimos a boca para receber a benção da morte.
A morte cairia sobre nós como uma benção.
O carnaval caiu sobre nós como uma maldição.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

The last song

O andarilho acordou em um lugar muito bonito.
Uma bela floresta, gramada, com rios que formavam cachoeiras, pássaros cantando e poucos raios de sol deixando uma vista realmente bonita.
O andarilho não se lembrava de nada.
Caminhando por alguns minutos, encontrou um homem velho dormindo no chão com um violão sobre seu peito.
O andarilho acordou o homem, perguntando se ele sabia que lugar era aquele, se lembrava como haviam parado ali e se os dois se conheciam.
O homem se sentou no chão, pegou o violão e começou a cantar uma breve canção.

"This is my last song,
should be the hapiest one,
because i'm going to a place
where i won't feel alone.

This is my best song.
It is the hapiest one,
and if you're listening,
it means that i already am long gone"

O andarilho abriu os olhos. O sol escaldante do deserto queimava seu rosto.
Tudo havia sido um sonho.
Continuou desorientado e solitário a sua caminhada sem rumo.
Mais tarde, encontrou um esqueleto humano com os restos destruídos e já consumidos, pelo tempo e pelo sol, de o que um dia foi um violão.
Apesar de toda a confusão causada pelo sol cozinhando seu cérebro, soube reconhecer aqueles restos mortais como sendo os de si próprio.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Anestesia

Eu não me sinto triste.
Não me sinto só.
Não me sinto mais apaixonado.
Nem iludido, traído.
Não sinto.
Não vou morrer de fato,
pois não me sinto vivo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Inércia

Oi! tudo bem?
Há quanto tempo!
Sim, eu ainda estou aqui de olhos fechados sem saber nada.
Voando balisticamente por inércia.
O chão é logo ali.
Até mais!

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Nadando contra a correnteza

Um lugar muito bonito.
Um rio, várias cachoeiras.
Tentativa de escapar do vazio.
De fato, o lugar é lindo, e ajudou bastante.
O vazio ficou de longe, apenas observando.
O vazio está lá.

---

A correnteza puxa para o vazio.
Eu não sei nadar.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Motivação!

Oh Motivação!
A chave mestre da vida!
Esmagada e destruída!

Minha memória extremamente fraca, meus bloqueios mentais produzidos como medida de proteção, meus traumas.
Essas coisas fazem com que seja meio raro eu ficar realmente analisando tudo o que aconteceu.
Ok, a vida é feita de fases, e as coisas vão mudando.

Somos seres muito fluidos.
Fluidos como a fumaça que sai dos ouvidos.
Como a meleca que sai do nariz quando pensamos muito forte em temperaturas baixas.
Como o pensamento em si, fluido, que flui por todo o universo.

Mas, algo não me parece como uma mudança válida...

Primeiros períodos. Chegava eu, puro entusiasmo, observando todos aqueles zumbis, mortos errantes.
Pudera eu imaginar que um dia eu seria um deles?
Eu tinha a lendária fonte da motivação dentro de mim.
Não importava o porquê, não importava o que eu ganharia fazendo algo, eu só queria fazer e fazer bem feito.
Mas, a fonte secou.
Péssimos professores, currículo atrasado em décadas, matérias ridículas.
Fracassos pessoais, falta de dinheiro, falta de liberdade, amores não correspondidos, solidão, depressão.

Realmente não me parece uma mudança válida.
Não foi uma mudança.
É uma doença.
Que por um bom tempo eu pensei não ter cura.
Mas, tem sim.

Eis que aqui estou, finalmente, no último semestre da faculdade.
Mais cinco meses, e eu estarei livre.
Sei que ainda existe uma fonte de motivação neste deserto.
Sei que algum dia eu ainda posso sair daqui.
Então existe sim uma cura.

Uma vez fora daquele lugar, pretendo ficar pelo menos um ano em desintoxicação.
Tentar ser alguém.
Fazer coisas legais.
Procurar a fonte.
A lendária fonte perdida da motivação!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

"Querida Teresa"

Te escrevo este post, inspirado no blog "A infinita ausência" que foi um blog muito significativo em uma certa parte da minha vida.
Resolvi escrever, pois, te encontrei hoje na faculdade, conversamos por uma hora e depois eu saí meio que flutuando, como geralmente acontece quando nos encontramos.
Nesses momentos fica claro o efeito que sua presença surte em mim, e o porquê.
Você tem essa energia, emana essa energia que eu quase nunca vejo em outras meninas.
Você está realmente viva e presente.
Mas, deixando de lado as minhas inspirações ingênuas e até irresponsáveis, gostaria de te falar.
Eu realmente não tenho capacidade, ou então maturidade, para me aprofundar na sua vida apenas como um amigo. Por isto, eu acabo me distanciando tanto de você, quando eu consigo. 
Já em época de faculdade, é difícil não nos encontrarmos.
A minha mente então se torna um campo de batalha, onde parte de mim luta para fugir de você e outra parte luta para te encontrar de novo, nem que seja só para dar um oi, um abraço e depois ficar viajando na lembrança dos seus olhos através do óculos, do seu sorriso peculiar, do toque nos seus cabelos.
Chega a ser doloroso para mim conversar com meninas (naqueles aplicativos de encontro) depois de conversar com você. Fica claro que eu estou buscando uma você lá, que obviamente nunca vou encontrar.
Durante vários semestres esta situação se arrastou, em alguns deles eu inclusive não consegui me conter e declarei os meus sentimentos para você, e você já deixou bastante claro que eles não são recíprocos.
Enfim, de qualquer forma, este é o último semestre.
Então, já que eu realmente não tenho capacidade de dar um fim a isso, vou simplesmente ir levando até o fim.
Daqui a seis meses, será o nosso adeus.
Então finalmente te deixarei em paz, me deixarei em paz.
Só preciso aguentar mais seis meses nessa luta contra mim mesmo.
Depois disso, não sei bem o que será.
Certamente, não vou te esquecer, mas provavelmente nos perderemos no mundo.
Você acabará sendo um sonho perdido e esquecido na minha mente. 
Uma manifestação puramente imaginativa de vários possíveis passados e futuros que ficaram presos nestes passados. 
Lembrança e saudade que ficarão congeladas em algum canto perdido do meu pensamento.
Me desculpe por ser tão fraco.
Farei o meu melhor para que tudo pareça simplesmente normal.
Tentarei seguir com a minha vida também.
Até que este semestre finalmente acabe.
Um abraço!