quarta-feira, 31 de maio de 2017

A última aula do Chico

Eu acabei de chegar da última aula do meu curso de um dos professores mais importantes que eu tive na vida:  o professor Chico.
Hoje, mais cedo, ele me enviou uma mensagem me parabenizando por ter tirado nota máxima na primeira prova da matéria.
Durante meu curso de Engenharia, eu tive aula com o Chico em quatro matérias, e em todas elas, cada aula era uma imensa motivação para continuar estudando. É muito raro encontrarmos pessoas que fazem tão bem o seu trabalho como o Chico.
Creio que são poucos os meus colegas que concordariam comigo nesse ponto. Infelizmente, as pessoas buscam um caminho fácil, querendo simplesmente passar e ficar livre das matérias, sem dar a devida dedicação, e o Chico, da mesma forma que discutia os conteúdos muito bem, e com incríveis profundidade e riqueza de detalhes, também cobrava irredutivelmente esses conteúdos.
O Chico nem sequer será um dos tantos professores homenageados na nossa cerimônia de formatura, o que é realmente uma pena.
Mas, que aqui fique registrado, quase que anonimamente ou até mesmo inexistentemente, a minha homenagem e agradecimento a este notável professor que aumentou ainda mais o meu interesse e curiosidade na área da Engenharia Eletrônica!

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Últimas vezes

Eis que vão chegando as últimas vezes.
Hoje talvez tenha sido a última vez que eu tenha apresentado um trabalho em uma feira técnica.
E, como em todas as outras feiras, o trabalho ficou apenas parcialmente pronto, e ainda assim, nos últimos minutos antes do evento.
Eu estava extremamente animado com este projeto no início.
Mas, passei por alguns momentos psicológicos extremamente complicados.
Durante a maior parte do tempo, eu fiquei correndo em círculos, procurando por mim mesmo que eu acho que nunca vou achar.
De qualquer forma, ali estava o trabalho, que eu fiz com meus colegas e amigos, e que jamais seria possível sem eles.
E este trabalho ainda será aperfeiçoado por um mês antes da apresentação final.
E daí para frente, tudo será como a glicose após a insulina.
O fim.

PS: E no fim do trabalho, a Fênix dá uma última sobrevoada, para garantir que sua imagem ficará pregada na cabeça de quem anda sempre só.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Moitinha

Hoje eu me safei de duas apresentações para as quais eu não estava preparado.
Só não me safei da Fênix.
Abismo.
Minha vivência ocorre totalmente dentro de uma dimensão paralela que foi sugada por um buraco negro.
Mas, tá acabando.
Logo chegará a hora de algumas mudanças muito radicais.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Pâncreas de ferro congelado

Nada realmente justifica algumas decisões que andamos tomando.
Colocando as pessoas mais queridas em segundo lugar.
Deixando de lado celebrações que deviam ser a motivação máxima da vida.
Sucumbindo ao mundo profissional/acadêmico frio, preto e branco de concreto.
Frieza, negligência interpessoal.
Abandono dos amigos e abandono a si próprio.
É o desamor pleno.
Vida inválida.

Temos que garantir com o máximo de certeza possível que isso realmente seja uma condição passageira.
Que assim que a maldição desmotivadora acabar (daqui a pouco mais de um mês), esse abandono próprio e geral, absoluto, cesse.
Ainda assim, torcendo para que não seja tarde demais para compensar o tempo perdido.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Aira

Eu estava bastante pensativo, e um tanto quanto triste hoje.
Pensava sobre a minha vida e a engenharia em geral.
Quero dizer, desde criança eu sempre fui encantado pela engenharia, desenvolvimento, criar novas coisas.
Porém, hoje, quando efetivamente trabalho com a área, profissionalmente, há alguns aspectos que entram muito em conflito com valores que eu tenho para mim.
Não posso demorar muito mais aqui mas, resumidamente, hoje eu pensava principalmente sobre duas coisas:
 - O fato de algumas coisas que eu venha a criar possam tirar o emprego de outras pessoas.
 - Algumas pessoas com quem trabalhamos em conjunto na área: chefes, clientes, etc, essas pessoas tendem a ser tão esmagadoramente negativas, arrogantes, estressadas, desrespeitosas. Creio até que chegam a trabalhar de forma anti ética com as pessoas, considerando-as apenas peças insignificantes do sistema de produção, sejam elas funcionários, provedores de serviço, etc.

Bem, pelo menos em relação ao segundo ponto, nossa querida Aira nos tranquilizou um pouco. Isto é, em sua infinita ignorância, ela mostrou que, não é só na engenharia que encontramos pessoas difíceis assim. Pelo jeito dela, ela certamente não chega nem perto de qualquer coisa que seja concreta ou exata neste mundo, mas ainda assim, se mostrou ser o mais amargo e intragável dos chocolates aerados.

Obrigado, Aira, por incrível que pareça, você facilitou um bocado as coisas na minha mente.
Que Pancroteia ilumine nossos caminhos!

domingo, 23 de abril de 2017

Forjado incapaz

Preciso de ajuda.
O que fazer quando você tem alguma coisa bastante complicada e super importante para entregar em um curtíssimo prazo e não tem sequer a mínima motivação para fazer?
Não consigo olhar para a tela do meu computador por 2 minutos ininterruptos.
Como eu queria poder estar em um lugar calmo e silencioso.
Por mais que eu esteja trancado no quarto, a barulheira que vem de fora faz doer minha cabeça.
Como eu queria que tivesse alguém aqui, nem que seja para me dar um chute se eu não evoluísse esse trem logo.
Mas neste deserto, eu vejo apenas areia para todas as direções até a infinitamente distante linha do horizonte.
Eu preciso de ajuda, mas, nem eu mesmo sou capaz de me ajudar.
Eu não sei o que fazer..

A maçã podre

Eu também estou com uma maçã podre enfiada em minha carne.
Igual ao pobre Gregor.
Tudo ficou tão melhor depois que ele se foi, coitado.
E a maçã na minha carne vai apodrecendo cada vez mais, corroendo minha carne, minha alma.
A esse ponto eu não sei mais o que é meu cérebro e o que é uma lasanha estragada. Por segurança, joguei os dois fora, porque lasanha estragada até que dá pra comer, no pior dos casos você pega uma diarreia, ou infecção intestinal, nada grave.
Mas, meu cérebro é algo que realmente não é bom chegar nem perto agora.
É pior que arma.
Pior que raio.
Pior que cama elástica que se quebra.
Pior que a vida.
Pior que 3 fins de semana perdidos.
Aquele momento em que o fim parece ser um ponto de som e luz e todo o resto parece ser uma esfera negra, silenciosa e dominante,
Não há som nem luz, exceto pelos emitidos pelo fim, aquele ponto de som e luz.
Codificado com alta taxa de compressão e diversos dispositivos altamente eficientes para correção de erros durante a transmissão.

Muitas coisas deram terrivelmente errado nesses últimos 5 anos.
Quero dizer, o processo normalmente já deve ser difícil com as coisas dando certo.
Mas, com elas dando tão errado, eu nem sei como foi possível chegar até aqui.
E não, não tinha necessidade de dar tão errado.
Ok, eu não vou ficar reclamando.
Mas, a motivação se foi.
Muita coisa se foi, e foram tantas reconstruções a partir de ruínas.
É pegar uma casa, destruir, construir de novo usando apenas o material que foi demolido.
E repetir o processo, repetir de novo, repetir de novo.
A casa está lá, mas está construída de pó compactado, madeira colada com fita adesiva, restos.
A maçã podre.
Não podemos exigir muito de mim.
E não tem ninguém que vai me dizer pra eu segurar firme, que tudo vai dar certo.
E eu já me acostumei com isso, não faz mal nenhum.
Não, não vai ficar bom, mas vai ter que sair.
Alguma coisa vai ter que sair.
Por mais que a mediocridade atinja o infinito.
Não é significante, pois, tudo, na verdade, está além daquele ponto.
O ponto de som e luz.
A maçã podre.
O fim.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Sobrenaturalidade

O meu ceticismo sobre as coisas sobrenaturais não é capaz de me proteger delas.
Hoje mais cedo, conversava com meus colegas de trabalho sobre um desenho animado muito bom e que eu me identificava muito com o protagonista que tinha uma paixão tão intensa com uma certa princesa Bubblegum que não dava bola para ele.
Um deles me perguntou "quem era a minha princesa Bubblegum" e, assim, a imagem vívida da Fênix revisitou e aqueceu minha mente após tanto tempo.
Eu apenas disse que não era ninguém e ficou por isso mesmo.
Mais tarde, andando pelos jardins da faculdade, eis que a vejo, majestosa ave a pairar por entre as árvores, tão bela. Olho para o outro lado e aperto o passo. Já estou atrasado, tomara que ela não tenha me visto. Tudo está indo tão "bem", não é hora de perder a cabeça.
Após a primeira aula, quase no fim do intervalo, eu me reunia com colegas para discutir o trabalho que apresentaríamos na próxima aula quando, de repente aparece na porta a criatura de blusa de frio (como sempre), óculos, longos cabelos levemente avermelhados, sorrindo, acenando para mim. Quase como se dissesse "Ei! Eu queria conversar um pouco com você, mas parece que você está meio ocupado agora, talvez seja melhor depois". Eu sorrio e aceno de volta e ela vai embora.
É claro que ela não queria dizer nada. Estava procurando alguma outra pessoa e não encontrou, só isso.
Todo o resto é apenas a criação de uma mente inaceitavelmente perturbada e irrecuperavelmente danificada.
Isso se é que ela de fato apareceu naquela porta, ou naquele jardim. Talvez ela nem sequer exista.
Não sei se isso seria pior ou melhor.
Talvez seja apenas mais uma das tantas sobrenaturalidades, que eu renego tão indiferentemente e que me perseguem tão insistentemente.

domingo, 9 de abril de 2017

2 meses e meio!

A pressão aumentando.
E a decisão pesando.
A vida chamando.
O andarilho congelado move os olhos rapidamente.
Inconsciente.
Trincando o gelo de suas pálpebras.

A contagem regressiva vai regressando.
O Pâncreas vai defecando.
Auto defecando.
As fezes caem em si.
As fezes voam e formam o show espetacular no céu.

Onde não existe aurora.
Onde não existe a luz.
Onde não existem os olhos.
Onde não existe o toque.
Onde não existe pensamento.
Onde não existe sentimento.
Onde não existe o calor.
Onde não existe a humanidade.
O show é bizarro, sinistro.
O show é de fezes.
O show é espetacular no céu.
É o show de fezes a voar, flutuar e bailar.

E tudo vai se espremendo.
As paredes vão se aproximando cada vez mais.
Retorcidas.
Distorcidas.
Errôneas.
Agressivas.

O gelo cortante e agressivo.
Dominante.
Esmagador!

2 meses e meio!
Ei!
Ei!! acorda!!
Falta só mais 2 meses e meio!
Aguente firme!
Fique aqui comigo!
Não, não vá embora!
Ei andarilho! Quantos dedos tem aqui?

Das nuvens vejo o solo ao meu encontro.
Sei que estou fazendo tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.
Tudo errado.

Mas, tudo bem, não pegue tão pesado consigo mesmo.
Aguente firme!
2 meses e meio!

terça-feira, 4 de abril de 2017

Harmonia fecal em câmera lenta

Algumas coisas, quando vão chegando perto do fim, vão se alongando.
É como se, a proximidade do momento final fosse distorcendo o tecido do tempo, expandindo-o.
Até que chega o momento em que tudo anda em câmera lenta.
A beleza das fezes flutuando no ar.
Bailando no ar.
As fezes no ar.
E aquele momento que se alonga e se alonga.
A pilha do relógio ficou fraca, e ele parou.

domingo, 19 de março de 2017

Aventuras criogênicas

O sol torra até mesmo os grãos de areia do deserto.
Mas o andarilho está lá, congelado, completamente insensível a tudo isso.
Ele está morto.
Foi congelado, para que pudesse suportar aquele determinado momento que o matou.
Ele está morto.
Mas, está congelado.
E ainda há uma pequena esperança de que ele seja reanimado algum dia, afinal.
É uma esperança pela qual vale a pena resistir.
Só temos que esperar mais um pouco.
Aguente firme, andarilho.

quarta-feira, 8 de março de 2017

24 translações de fezes

Então, mais um aniversário.
Eu odeio tudo, todos, eu e você.
E eu estou morto.
Mas, isso não significa que eu esteja morto, e nem que eu odeie tudo, todos eu e você.
Mas eu odeio e estou.

Eu finjo o tempo todo.
Minha cabeça é como uma televisão em Júpiter, celebrando a estática sem sentido da radiação cósmica estocástica.

Para eu ser considerado oficialmente morto agora, é só uma questão de formalidade.

Mas, não que alguma coisa esteja ruim, não, está tudo ótimo.
Tudo ótimo.
É como se as fezes voassem espontaneamente em nossos rostos.
Sem nem precisar pagar.
Nem precisar pagar.

Olhem pra mim!
Eu sou completamente invisível!
Invisível, imperceptível.

Eu fiz mais um aniversário.
Agora eu tenho 24 anos.
Acho que eu preferiria não ter feito.
Ou feito mais tarde, de tardinha, quando o sol já tivesse mais fraco.
E a vida menos viva.
E o ar mais rarefeito.
E a terra mais etérea.
E a luz mais escura.
E a temperatura mais fria.

A vida que escorre vermelha de meus ouvidos pinga no chão e fertiliza a terra.
Dela nascem os seres.
Os seres do outro mundo.
Ou dos outros mundos que só existiam na minha cabeça.
E que vão pingando pelos meus ouvidos.
Até que a carcaça que sobre totalmente sem vida saia flutuando errante,
Morto.
Os guarda chuvinhas que saem de meus olhos alimentam as abelhas gigantes cujas asas davam origem ao universo que ninguém jamais ouviu falar.
Minhas mãos finas e quebradiças atravessam tudo o que tocam, pois não mais se movem fisicamente, apenas nas memórias daqueles que já as viram antes.
Meu pescoço entrincheirado canta mais contente, sem precisar se preocupar com os fluxos de ar, sangue, urina e tudo mais.
Meu sangue fica mais leve e correto com todos os venenos cotidianos que tando fedemos e amamos.

Parabéns pra mim.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Quando eu tiver feito biscoito

Será que quando eu tiver feito, alguém vai ler isso?
Não sei ao certo quando vai ser.
Ei, você que está lendo isso, eu já fiz?
Quero dizer, eu não estou mais aqui?
Quanto tempo eu demorei?
Eu cheguei a terminar a faculdade?
Eu cheguei até o fim da semana?

Quero dizer, estou falando daquele biscoito, é claro.
É claro.

Carnaval

A urina caiu sobre nós pouco antes que a morte o fizesse.
Não havia confete e nem música.
Apenas urina e morte.
A morte cairia sobre nós como uma benção.
Era carnaval.
O carnaval era igual a vida.
Sujo, imundo, nojento, e todo mundo estava alegre e sorrindo.
O carnaval era igual a vida: ficamos nos perguntando o que todas essas pessoas estavam fazendo aqui sendo que não há nada aqui.
O carnaval era igual a vida: morto, cinza, sem cor.
O carnaval era igual a vida: nós não queríamos estar nele.
O carnaval era igual a vida: depressão, solidão, anseio pelo fim.
O carnaval era igual a vida: chove urina envenenada, e nós abrimos a boca para receber a benção da morte.
A morte cairia sobre nós como uma benção.
O carnaval caiu sobre nós como uma maldição.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

The last song

O andarilho acordou em um lugar muito bonito.
Uma bela floresta, gramada, com rios que formavam cachoeiras, pássaros cantando e poucos raios de sol deixando uma vista realmente bonita.
O andarilho não se lembrava de nada.
Caminhando por alguns minutos, encontrou um homem velho dormindo no chão com um violão sobre seu peito.
O andarilho acordou o homem, perguntando se ele sabia que lugar era aquele, se lembrava como haviam parado ali e se os dois se conheciam.
O homem se sentou no chão, pegou o violão e começou a cantar uma breve canção.

"This is my last song,
should be the hapiest one,
because i'm going to a place
where i won't feel alone.

This is my best song.
It is the hapiest one,
and if you're listening,
it means that i already am long gone"

O andarilho abriu os olhos. O sol escaldante do deserto queimava seu rosto.
Tudo havia sido um sonho.
Continuou desorientado e solitário a sua caminhada sem rumo.
Mais tarde, encontrou um esqueleto humano com os restos destruídos e já consumidos, pelo tempo e pelo sol, de o que um dia foi um violão.
Apesar de toda a confusão causada pelo sol cozinhando seu cérebro, soube reconhecer aqueles restos mortais como sendo os de si próprio.